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Bolsonaro deve encontrar Orbán, líder ultranacionalista da Hungria

A passagem do brasileiro por Budapeste está sendo organizada para ocorrer após a agenda em Moscou, em meados de fevereiro

Por FolhaPress 19/01/2022 11h21
Foto: Palácio do Planalto

Ricardo Della Coletta
Brasília, DF

O presidente Jair Bolsonaro (PL) deve realizar uma visita à Hungria para um encontro com o líder ultranacionlista do país, Viktor Orbán. A passagem do brasileiro por Budapeste está sendo organizada para ocorrer após a agenda em Moscou, em meados de fevereiro.

Orbán, com histórico de atuar contra a oposição e a imprensa local, é referência para aliados do mandatário brasileiro, entre eles o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Ele é considerado hoje um dos principais líderes da ultradireita na arena internacional, ao lado do próprio Bolsonaro.

O líder húngaro chegou ao poder em 2010 e promove a defesa do que chama de valores conservadores cristão. Tem ainda uma forte agenda contra a imigração e atuou para limitar direitos de homossexuais. A ofensiva de Orbán contra direitos LGBTQIA+ o colocou ainda em rota de colisão com órgãos da União Europeia.

Além do encontro de dois líderes politicamente alinhados, a expectativa da diplomacia brasileira é tentar usar a viagem para ampliar exportações na área de defesa para o país europeu. A Hungria foi um dos países que assinou contrato para compra da aeronave militar KC-390, da Embraer.

Interlocutores também destacam que o país, dentro da União Europeia, apoia reivindicações do Brasil como a ratificação do acordo comercial assinado pelo bloco com o Mercosul. Os húngaros também endossam o pleito brasileiro de ingressar na OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), uma espécie de clube dos países ricos.

Em entrevista no Palácio do Planalto nesta quarta-feira (19), Bolsonaro disse que também poderia realizar agenda na Polônia. Interlocutores consultados pela reportagem, no entanto, ressaltaram que a passagem por esse país ainda não está fechada.

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Bolsonaro também negou que sua ida a Moscou possa criar algum tipo de incômodo com países da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), uma vez que a Rússia é acusada pelos Estados Unidos de estar planejando uma invasão da Ucrânia.

“O Itamaraty vê essa questão aí. A gente não está saindo do Brasil para criar problemas, animosidade. Sabemos dos problemas de alguns países com a Rússia, sabemos disso aí”, disse Bolsonaro.

“A Rússia é um parceiro nosso. Temos compra aí de fertilizantes, inclusive potássio e outras coisas. Então é uma vigem que interessa para nós e para eles. O convite veio deles, e se aceitamos é porque nós temos interesse. Se eles convidaram, é porque têm interesse também”, acrescentou.

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