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Política & Poder

Bolsonarismo se agarra a Rogério Marinho para tentar poder

Com as últimas eleições, as bancadas dos três partidos no Senado se tornaram um microcosmo do último governo

FolhaPress

30/01/2023 7h00

Foto: Reprodução/Agência Brasil

Thaísa Oliveira, Ranier Bragon
Brasília, DF

Com o crescente alinhamento de Arthur Lira (PP-AL) ao governo, a base radical de Jair Bolsonaro (PL) movimenta as redes sociais e tenta tornar o senador eleito Rogério Marinho (PL-RN) o ponto de poder do ex-presidente em Brasília.


Para fortalecer a candidatura do ex-ministro à presidência do Senado e derrotar Rodrigo Pacheco (PSD), que é favorito à reeleição nesta quarta-feira (1º), o PL negociou a formação de um bloco com as outras duas siglas que reúnem hoje os principais aliados do ex-presidente: PP e Republicanos.

Com as últimas eleições, as bancadas dos três partidos no Senado se tornaram um microcosmo do último governo.

Dos 23 senadores, 5 foram ministros de Bolsonaro e 1, secretário especial. Também estão neste bloco o ex-presidente da República Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e o filho mais velho de Bolsonaro, Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Pacheco foi eleito em 2021 com o apoio de bolsonaristas e petistas, o que garantiu que os dois partidos tivessem espaço na mesa diretora do Senado —o PL com Romário (PL-RJ) na 2ª vice-presidência e o PT com Rogério Carvalho (PT-SE) na 3ª secretaria.

Desta vez, no entanto, Pacheco ameaça isolar o PL de cargos de comando, caso a candidatura do rival vá até o fim.

Pelo critério de proporcionalidade, o maior bloco ou partido tem direito a escolher com qual cargo ou comissão gostaria de ficar. Aliados do presidente do Senado afirmam, no entanto, que, sem acordo com Marinho, o bloco adversário terá que disputar os espaços no voto.

Mesmo com a ameaça de isolamento, integrantes do PL afirmam que Marinho não vai recuar de sua candidatura, e que este é também um compromisso do presidente do partido, Valdemar Costa Neto, com o ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Acredito que Marinho é a melhor opção para a gente buscar esse equilíbrio entre os Três Poderes”, afirmou a senadora eleita e ex-ministra da Mulher Damares Alves (Republicanos-DF).

“Marinho não é um líder de gritar, ele é um líder da articulação. E eu creio que, nesse momento, o que o Senado precisa é de um líder bom de diálogo”, completou, dizendo que está em plena campanha pelo ex-companheiro de Esplanada.

O PL tenta usar a candidatura de Marinho para marcar posição contra o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes —o que o senador eleito negou, em entrevista à Folha.

A invasão das sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro, fez com que aliados de Pacheco reforçassem o discurso de que é preciso reeleger o mineiro para barrar a intentona golpista dos apoiadores de Bolsonaro.

“Não vamos baixar nossa cabeça e nos intimidar para nenhum tipo de intimidação e muito menos tentativa de criminalização da política e dos políticos por setores retrógrados que não perceberam que perderam a eleição”, disse Weverton Rocha (PDT-MA) ao anunciar o apoio da bancada a Pacheco.

Para o futuro líder da bancada do PT, Fabiano Contarato (PT-ES), Pacheco “demonstrou um comportamento irrefutável” em defesa da ordem democrática. “Eu acho que o melhor terreno para plantar e colher direitos é a democracia”, afirmou o petista.

Aliados do atual presidente da Casa mantêm a contabilidade segundo a qual Pacheco deverá ter entre 50 e 60 dos 81 votos —em 2021, foram 57. Um dos principais articuladores da campanha é o senador Davi Alcolumbre (União-AP), ex-presidente da Casa que fez Pacheco seu sucessor.

Aliados de Marinho, porém, apostam nas traições e no bom trânsito político que o senador do Rio Grande do Norte tem entre os colegas. Segundo o grupo, o cenário atual está empatado: cerca de 35 votos para cada um dos candidatos e outros 11 indecisos.

Bolsonaristas lotaram a caixa de email dos senadores, ligaram para os gabinetes, mandaram mensagens e comentaram em publicações na Internet —a ponto de o ex-líder do governo Bolsonaro Carlos Portinho (PL-RJ) precisar pedir para que as pessoas fizessem isso “civilizadamente”.

“Não apoie um inerte. O povo quer pessoas firmes que cumpram as funções pelas quais foram eleitas. Não os traia”, diz um dos emails enviados ao gabinete dos senadores, com o assunto “Pacheco não”.

Nas redes sociais, apoiadores de Marinho lembram que o presidente do Senado arquivou um pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes, e tentam reproduzir o cenário das últimas eleições para presidente da República.

A assessoria de Rogério Marinho afirma que o movimento é espontâneo e que não concorda com tentativas de intimidação.
Também corre por fora na disputa Eduardo Girão (Podemos-CE), mas o senador não conta com o apoio nem do próprio partido. Rachado entre apoiadores de Pacheco e Marinho, o Podemos deve liberar os cinco integrantes da bancada.

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