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Blanco conversou sobre venda de vacinas para o sistema privado antes da medida ser aprovada

O próprio coronel mostrou conversas com Dominguetti que mostram ele negociando vacinas para o setor privado

Por Willian Matos 04/08/2021 11h02
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O ex-diretor substituto do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, coronel Marcelo Blanco, depõe à CPI da Pandemia nesta quarta-feira (4). Blanco responderá questões sobre um suposto pedido de propina por parte do Ministério para fechar compra de vacinas.

A sessão começou por volta de 10h30. Na introdução, Blanco disse que foi enganado pelo representante da Davati, Luiz Paulo Dominguetti, que ofereceu 400 milhões de doses da AstraZeneca. Para corroborar a fala, o coronel mostrou prints de conversas com Dominguetti. Ao verem os diálogos, os senadores notaram uma inconformidade de datas.

Blanco enviou mensagens de voz para Dominguetti no dia 22 de fevereiro falando que, no dia seguinte, teria uma reunião com pessoas importantes para possivelmente tratar a venda de vacinas para o setor privado. “Mais tarde eu tenho uma reunião com um pessoal que tem um nível de interlocução, e eles têm um relacionamento muito bom, tá, que pode encontrar determinados locais, né, que gerem essa demanda no meio privado para a gente poder botar isso daí, cara”, disse Blanco no áudio.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) lembrou que, à época, era proibido vender imunizante para empresas particulares. A Câmara dos Deputados foi aprovada no dia 23 de fevereiro e sancionada no início de março. Desta forma, Blanco estaria negociando venda de vacinas ao setor privado de forma irregular.

Após os senadores perceberem a irregularidade, o coronel se defendeu dizendo que não estava negociando, mas apenas tomando iniciativa para quando a medida fosse sancionada.

Blanco entrou no Ministério em abril de 2020, a convite do então ministro Eduardo Pazuello, e deixou o cargo em dezembro do mesmo ano. O coronel lembrou que ele e a família foram infectados pela covid-19 em agosto de 2020. O ex-diretor substituto do Departamento de Logística chegou a ficar internado no Hospital das Forças Armadas (HFA) devido a complicações causadas pela doença.

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