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Política & Poder

Atentado firma votos e gera chances de crescimento para Bolsonaro

Arquivo Geral

07/09/2018 13h55

Reuters/Adriano Machado/File photo

Francisco Dutra
francisco.dutra@grupojbr.com

O golpe de faca fortalece a campanha do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL). É a leitura de analistas políticos da Universidade de Brasília (UnB). A brutalidade do atentado consolida os votos do candidato e gera condições para o crescimento das intenções de voto até as urnas de 7 de outubro, data da votação do primeiro turno das eleições. O militar líder das pesquisas, até agora, passa a ter a chance de conquistar votos de solidariedade e superar a forte rejeição popular.

“Fortalece a candidatura dele, sem sombra de dúvida. O sonho de todo candidato é ser alvejado em campanha. Porque isso sensibiliza a população e dá acesso ao voto de apoio, o voto de suporte. Este ataque consolida os votos de Bolsonaro e ele ganha o voto de solidariedade”, afirma o professor do Instituto de Ciência Política da UnB, Ricardo Caldas. Uma ferramenta importante para Bolsonaro enfrentar a rejeição, cuja origem está na postura ultraconservadora e da falta de detalhamento das propostas do próprio caso eleito.

Segundo Caldas, a rejeição não é um desafio dos principais concorrentes ao Palácio do Planalto. Os presidenciáveis Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (Rede) e Ciro Gomes (PDT) enfrentam forte resistência dos eleitorado por motivos diferentes. Preso em Curitiba (PR), o ex-presidente Lula (PT) também enfrenta a aversão do eleitorado, assim como seu eventual substituto, Fernando Hadad (PT), caso o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sepulte em definitivo a candidatura do cacique.

O atentado muda totalmente os rumos da corrida eleitoral. “Zera, mas com Bolsonaro como líder das intenções de voto”, completa Caldas. Por um lado, adversários vão puxar o freio de mão nos ataques. Antes da facada, Bolsonaro começava a ser alvejado na televisão, no rádio e nas redes sociais. Por outro, o candidato deve reforçar a campanha virtual enquanto se recupera do ferimento grave no Hospital Albert Einstein, em São Paulo (SP).

“E quanto tempo Bolsonaro tinha no horário eleitoral? Oito segundos. Agora tem mais de 8 horas de cobertura da imprensa por dia. É a notícia do feriado de 7 de setembro. E ele vai passar pelo menos uma semana internado. E vai receber uma cobertura sem precedentes na história das eleições no Brasil, pelo menos que eu me recorde”, comenta Caldas.

Segundo o especialista, o cenário eleitoral pode surpreender muito até as urnas. Por enquanto, Caldas considera que Bolsonaro é o competidor mais forte e, dificilmente, haverá repetição de um eventual segundo turno entre PT e PSDB. Ou seja, a tradicional polarização entre petistas e tucanos é improvável.

O professor de Ciência Política David Fleischer faz leitura semelhante. “Provavelmente ele vai poder fazer gravações no hospital. Isso vai fortalecê-lo ainda mais. Bolsonaro terá a empatia e simpatia do eleitorado”, declara. E este tipo de voto pode justamente enfraquecer a atual rejeição de Bolsonaro. Antes do atentado, o presidenciável do PSL só perdia para Lula no primeiro turno. Mas no segundo turno, era batido por Ciro, Alckmin e Marina e empatava com Hadad.

“Se tudo continuar a correr a seu favor, Bolsonaro agora tem chances de ganhar em um segundo turno”, resume Fleischer. Para o analista, as próximas pesquisas deverão deixar mais claro os impactos do atendado. E neste contexto, todas as pesquisas anteriores empalidecem após o ataque de Juiz de Fora.

O professor também considera que os rivais vão parar momentaneamente os ataques contra Bolsonaro. “Ninguém quer vitimizá-lo ainda mais”, explica. É hora para todos reverem as estratégias. Independente de leituras políticas, o estado de saúde de Bolsonaro é delicado. A Polícia Federal investiga o atentado.

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