Um relatório feito Polícia Legislativa – que atua no Congresso Nacional – complicou ainda mais a situação do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). O registro de entrada e saída de pessoas do Senado aponta que integrantes do suposto esquema comandado pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, teriam frequentado o gabinete do parlamentar.
No ano passado, foram registradas duas visitas de Gleyb Ferreira da Cruz, apontado como uma espécie de faz-tudo do grupo, responsável de operações financeira a contatos políticos. Em 2008 e 2007, foram oito visitas do araponga Idalberto Matias de Araújo, conhecido como Dadá, braço direito de Cachoeira.
Além do gabinete, a Polícia Federal suspeita que o próprio imóvel funcional do senador era usado para encontros da suposta quadrilha. Em conversas interceptadas durante a Operação Monte Carlo, comandada pela Polícia Federal, Dadá relata uma reunião de integrantes do esquema no local.
encontros
Em telefonema com duração de de 17 minutos, gravado no dia 21 de dezembro de 2010, Dadá diz a Lenine Araújo de Souza – que é considerado o segundo homem na hierarquia da suposta organização, e seria responsável pela administração contábil do contraventor, conforme a PF – que está na Asa Sul, em Brasília. Trata-se do chamado bloco dos senadores, onde Demóstenes e outros parlamentares ocupam apartamentos funcionais cedidos pelo Senado.
“Está onde?”, pergunta Lenine. “Aqui na 309, no estacionamento, na Sul, na Asa Sul”, responde o sargento. Segundo as transcrições do diálogo das ligações telefônicas, também teriam comparecido ao bloco Cachoeira, ao qual Dadá e outros integrantes do grupo se referem como “o homem”; Cláudio Dias de Abreu, citado no inquérito da operação como sócio do empresário em negócios ilegais; e Wladimir Garcez Henrique, que seria seu braço-direito, encarregado de obter facilidades nas polícias Militar e Civil de Goiás.
O bloco C e o Bloco G, onde mora Demóstenes, são conjugados, unidos, e possuem um estacionamento comum.
entrega de dinheiro
Outra interceptação telefônica feita pela PF mostra uma conversa que seria entre Gleyb e Demóstenes na qual, segundo os investigadores da polícia, os dois estariam combinando a entrega de um pacote com R$ 20 mil ao senador, a pedido de Cachoeira.
“Tô com um negocinho para entregar. Queria ver com o senhor onde é que a gente pode, onde quer que eu leve”, diz o ajudante do bicheiro. “É na SQS 309, Bloco G. Vem lá pelas três horas”, orienta Demóstenes. O endereço fornecido é o da própria residência do parlamentar em Brasília.