Francisco Dutra
francisco.dutra@jornaldebrasília.com.br
“Time de futebol que não disputa campeonato perde torcedores. E político que não disputa eleição perde eleitores”, disse ontem o secretário de Justiça, Alírio Neto, logo após o seu Bloco Social Ecológico entrar formalmente na corrida pela presidência da Câmara Legislativa. O grupo composto por seis deputados distritais decidiu apostar em um candidato para o comando do Legislativo brasiliense. Além do atual secretário de Justiça, que é deputado distrital licenciado e presidente regional do PEN, o bloco definiu outros dois nomes como possíveis candidatos: os distritais Cláudio Abrantes (em processo de desfiliação do PPS) e Joe Valle (PSB).
Alírio afirmou que pode deixar o Executivo para participar da corrida eleitoral, caso sua candidatura ganhe corpo no decorrer dos próximos dias. “Precisa, porém, existir uma estrutura, uma posição. Não bastaria eu sair candidato de mim mesmo”, resumiu. Mesmo assim, Alírio considera que o primeiro passo é a definição oficial do candidato. Na avaliação do secretário, o critério de escolha deve ser a capacidade de aglutinar nomes, dentro e fora do bloco.
Aposta na continuidade
Por outro lado, Joe Valle, que atualmente compõe a Mesa Diretora da Casa, considera que se eleito deverá priorizar a continuidade dos projetos em curso. Segundo o parlamentar, a Câmara deu a partida em um planejamento estratégico de gestão e imagem de longo prazo. “Meu mandato será de gestão, gestão e gestão”, sinalizou.
O líder do bloco, Israel Batista (PEN), contou que no entendimento dos seis participantes era preciso tomar posição política, até para que o grupo não começasse a ser taxado de simples massa de manobras e votos. Outro ponto que pesou foi a indefinição dos demais blocos legislativos. O quadro é nebuloso inclusive nos blocos que incluem postulantes declarados ao posto. Após a reunião, Israel e os demais parlamentares do bloco saíram com a certeza de que, se os outros grupos têm legitimidade para disputar, eles também têm.
Nada de reboque
“Sempre defendi que o bloco não deveria ir à reboque”, argumentou Israel. O líder acrescentou que a conjuntura propícia o lançamento de um nome, uma vez que o principal partido governista, o PT está dividido. “Agora vamos tentar nos viabilizar. Vamos buscar uma conversa com o próprio governador para ouvir a opinião dele”, disse.
O distrital Cláudio Abrantes avalia que, em 2013 e 2014, a Câmara vivenciará temáticas relevantes para o futuro do DF, como a revisão do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT) e do Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCUB), previsto para este ano, mas que deve ficar para 2013. Do ponto de vista eleitoral, trata-se de ponto para protagonismo estratégico uma vez que será o biênio de véspera das eleições de 2014.