A instabilidade no cenário político abriu uma temporada de caça aos descontentes e indecisos na capital brasileira. Partidos estão de olho em personagens das vizinhanças que passam por momentos de dúvidas ou conflitos internos com suas legendas.
Na Câmara Legislativa, o descontentamento da base aliada desperta a atenção de siglas interessadas em fortalecer seus quadros oferecendo novo porto a dissidentes.
Propostas diversificadas
Certos nomes chamam a atenção de mais de uma sigla. É o caso do ex-deputado federal Augusto Carvalho, antigo filiado do PPS que agora observa a fusão da sigla com o PMN na formação da Mobilização Democrática.
O parlamentar esta na mira do PMDB, PTB e PSB. O ex-vice-governador e empresário, Paulo Octávio, filiado ao DEM, está na mira de diversas legendas, como PMDB, PTB e PHS.
O PSDB está atento a possibilidade de cooptar o deputado federal Luiz Pitman (PMDB). Na Câmara Legislativa, o nome do deputado distrital Wellington Luiz (PPL) está nos planos do PMDB e do PSB. Já o distrital Washington Mesquita (PSD) está nos planos do PTB.
O presidente regional do PTB, senador Gim Argello, observa o cenário com tranquilidade. Para o senador, o partido tem grandes chances de conquistar a maior parte dos nomes que estão no seu campo de interesse.
Sem assédio
Já para o senador Rodrigo Rollemberg, o PSB não faz assédio aos descontentes, mas mantém diálogos e portas abertas para nomes interessados. “O Augusto Carvalho é um companheiro do nosso campo há longo tempo. Estamos construindo uma boa relação com a MD. Por isso, se ele ficar nela é muito confortável para nós. Se por acaso ele for sair é uma pessoa que se encaixa muito bem no PSB”, comentou. De acordo com Rollemberg, muitos nomes hoje no governo dão sinais que permanecem na posição por estarem cooptados ou de certa forma coagidos.
O presidente regional tucano, Márcio Machado, afirmou que o partido tem boas relações com Pitiman e que a mudança depende, principalmente do parlamentar.
Aposta agora se volta para novos nomes
Gim Argello observa que o cenário político local é muito diferente das eleições passadas. Segundo o senador, as pesquisas recentes apontam o surgimento de novos líderes de destaque nas regiões administrativas e nas entidades de classe. Em contrapartida, são raras as pessoas que sabem de cor os nomes dos administradores regionais, líderes sindicais ou mesmo do quadro de secretários.
Neste sentido, o senador tenta a formação de uma nominata com dois ou três candidatos bem relacionados com setores estratégicos, a exemplo de médicos, empresários, líderes sindicais, advogados e igrejas. “Mas é preciso ter potencial interno para isso. Você tem que ter conteúdo, vontade e querer bem as pessoas de verdade. Você tem que gostar de gente”, acrescentou.
Metas ambiciosas
A sigla tem metas ambiciosas para as próximas eleições. O partido espera sair das urnas com quatro deputados distritais e dois federais. Ao contrário da eleição passada quando formou alianças para as proporcionais, para o próximo ano, a princípio, a sigla se lançará com chapas puras. Em 2010, para a Câmara Federal, o partido se coligou com PRB, PMDB, PCdoB e PRP. Para a Câmara Legislativa, houve uma aliança com o PRB.
Para Argello as estrutura partidária será o diferencial na disputa. A distrital Eliana Pedrosa (PSD) também está antenada nas idas e vindas no tabuleiro brasiliense. ““Estamos vendo muitas movimentações entre partidos. E muitas ainda vão ocorrer. Agora, tem muito partido inchando demais”, alertou a parlamentar.