O americano George Zimmerman, vigilante voluntário que confessou ter matado o adolescente negro Trayvon Martin, compareceu, nesta quinta-feira (12), pela primeira vez, perante um juiz da Flórida, nos Estados Unidos.
Em uma audiência muito rápida, o juiz Mark Herr voltou a citar as partes para o próximo 29 de maio, quando o vigilante será formalmente acusado do crime de homicídio em segundo grau. Trata-se de uma das primeiras aparições públicas de Zimmerman, de 28 anos, desde que disparou contra Trayvon no último dia 26 de fevereiro.
A polícia decidiu deixá-lo, a princípio, em liberdade e sem acusações, mas a pressão pública o levou a permanecer escondido até que, na quarta-feira (11), se entregou às autoridades.
Durante a audiência de portas fechadas – mas cujas imagens foram transmitidas ao vivo pelos meios de comunicação – Zimmerman permaneceu o tempo todo de pé, escutando as explicações do juiz, que somente lhe perguntou se entendia o que estava sendo dito.
Algemado e vestido com um uniforme da prisão, Zimmerman escutou calmamente o juiz e de vez em quando respirava fundo e piscava devagar.
Por enquanto não foi estabelecida fiança alguma, por isso nos próximos dias poderia ser convocada uma nova audiência para que assim a solicite seu novo advogado, Mark O’Mara, que já anunciou que seu cliente se declarará inocente.
Segundo o advogado, Zimmerman está “cansado da “grande intensidade de tudo que aconteceu nas últimas semanas”, nas quais foi alvo de acusações de racismo e, inclusive, mais de um milhão de pessoas reivindicaram por escrito sua prisão.
No dia da morte do jovem, Zimmerman ligou para o número de atendimento de emergências da polícia e denunciou a presença de alguém suspeito na comunidade de Sanford, na Flórida.
A operadora lhe disse que mandariam agentes e que ele não interviesse. No entanto, quando estes chegaram, Trayvon estava morto no chão e o vigilante disse que havia disparado em defesa própria.
Faltando testemunhas ou provas que demonstrem o contrário, sua conduta está amparada pela legislação do estado da Flórida através da lei “Stand Your Ground” (“Defenda sua posição”), que permite o uso da força letal em auto-defesa, inclusive quando houver possibilidade de fugir de forma segura.