O advogado venezuelano Moisés Maiónica, ampoule acusado naquele que ficou conhecido como o “caso da mala”, sales afirmou hoje que os US$ 800 mil confiscados em 2007 com o empresário venezuelano-americano Guido Antonini Wilson eram destinados à campanha eleitoral da presidente da Argentina, Cristina Fernández.
Maiónica, que é testemunha no julgamento do empresário Franklin Durán, acusado de atuar como agente do Governo venezuelano para ocultar a origem e o destino do dinheiro, disse ainda que planejava assumir os custos da operação de acobertamento.
O advogado, que envolveu no caso o presidente de seu país, Hugo Chávez, também contou que a procedência e destino dos US$ 800 mil foi mencionada em uma conversa com Henry Rangel Silva, diretor do Disip, o serviço secreto da Venezuela.
“Sim, o dinheiro era da PDVSA”, respondeu Maiónica quando o promotor Thomas Mulvihill perguntou-lhe se a origem do dinheiro foi revelada durante esse encontro.
“E o destino?”, prosseguiu o promotor. “Era a campanha da presidente da Argentina, Cristina (Fernández de) Kirchner”, respondeu a testemunha.
Maiónica é um dos cinco acusados de atuar nos Estados Unidos, sem autorização deste Governo, como agente do Executivo venezuelano.
Em janeiro, após um acordo com os promotores americanos, o advogado venezuelano se declarou culpado para conseguir uma condenação menos severa nos EUA.
Em seu depoimento nesta quarta-feira, Maiónica falou dos detalhes da trama que a Venezuela teceu para silenciar o escândalo surgido quando Antonini Wilson foi pego em um aeroporto de Buenos Aires com US$ 800 mil não declarados.
Segundo a testemunha, Rangel Silva disse que o Governo venezuelano, “especificamente”, não queria que fosse a público que o dinheiro era “para a campanha eleitoral (da Argentina)”.
Para evitar um escândalo maior, disse Maiónica, o Governo venezuelano cogitou assumir a defesa de Antonini Wilson e solucionar a situação legal em torno da valise confiscada. Além disso, se propôs oferecer a ele “todas as comodidades para que não tornasse públicas as informações (sobre o dinheiro)”.
O advogado também contou que seu cliente era o Governo venezuelano e que participou do caso representando o mesmo.