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Talibã detém homens por uso de roupas inspiradas na série ‘Peaky Blinders’ no Afeganistão, diz imprensa

Eles teriam sido acusados de desrespeitar os valores islâmicos ao promover a cultura estrangeira.

Redação Jornal de Brasília

11/12/2025 10h33

peaky blinders

Foto: Reprodução

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Autoridades ligadas ao Talibã detiveram quatro homens que usavam roupas inspiradas na série britânica “Peaky Blinders” na província de Herat, no sul do Afeganistão, de acordo com a imprensa internacional.

Eles teriam sido acusados de desrespeitar os valores islâmicos ao promover a cultura estrangeira.⁠

À rede americana CBS News o porta-voz do regime Saif Islam Khyber afirmou que os homens foram “intimados, advertidos e liberados”. Antes, em publicação na plataforma X, ele escreveu que as autoridades se esforçam para salvar o Afeganistão da “promoção de culturas ruins”.

“Graças a Deus, nós, muçulmanos e afegãos, temos nossa própria religião, cultura e valores”, publicou Khyber, porta-voz do Ministério para a Propagação da Virtude e a Prevenção do Vício, responsável por fiscalizar o cumprimento das regras morais impostas pelo grupo fundamentalista.

Os homens têm pouco mais de 20 anos e andavam pelas ruas com boina, colete, gravata e sobretudo, peças inspiradas na série que conta a história de uma gangue na Inglaterra após a Primeira Guerra Mundial. Vídeos e fotos deles viralizaram nas redes sociais.

Também à rede CBS um amigo do grupo disse, sob a condição de anonimato, que os homens admiram a série britânica e que não existia motivação política na iniciativa. Já o regime do Talibã disse que eles manifestaram remorso após a detenção, de acordo com o site The Afghan Times.

Desde que o grupo fundamentalista retomou o poder no Afeganistão, em 2021, as autoridades impuseram uma série de restrições à vida cotidiana sob a justificativa de que é necessário respeitar a lei islâmica.

O grupo reprimiu, por exemplo, os direitos das mulheres, impondo limites à escolaridade, ao trabalho e à independência geral na vida cotidiana. Em julho passado, o Tribunal Penal Internacional (TPI), sediado em Haia, na Holanda, emitiu mandados de prisão para dois chefes do Talibã no Afeganistão, incluindo o líder espiritual supremo, Haibatullah Akhundzada, acusando-os de perseguição a mulheres e meninas.

O Talibã também reintroduziu a pena capital, apedrejamento, flagelações e amputações de mãos para crimes menores, como roubos e adultérios. Em relatório divulgado em 2023, a ONU disse que mais de 300 pessoas foram açoitadas publicamente em seis meses e pediu o fim das punições.

As penas evidenciam que os líderes do Talibã buscam repetir os aspectos mais sombrios de sua forma de ver o mundo, apesar de terem se adaptado aos novos tempos. Logo após a volta ao poder, o grupo prometeu moderação e amplos direitos às mulheres, principal alvo de sua repressão.

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