“Estamos muito preocupados com as conseqüências a longo e médio prazo desta crise na América Central, pois significa um futuro com uma menor possibilidade de educação, menor possibilidade de saúde, e menos trabalho produtivo”, explicou Medrano à Agência Efe fora da cúpula da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) sobre segurança alimentar realizada em Roma. Além disso, destacou que esta crise pode significar “uma menor estabilidade política” na região, como mostra um passado de “violência e conflitos civis em conseqüência da desigualdade”. Advertiu também que a atual alta dos preços pode elevar ainda mais os níveis de desigualdade e de exclusão e ter “conseqüências sociais muito delicadas”. Medrano explicou que a América Central foi a área mais afetada pela alta dos preços e que também sofreu com fenômenos naturais como furacões, que destruíram plantações, o que aumentou a desnutrição. “Na América Central entre 20% e 25% da população sofre de desnutrição crônica” e isto se agravará por causa da queda da capacidade de compra, explicou o diretor para a América Latina e Caribe da agência das Nações Unidas. Medrano lembrou que “o triste exemplo” desta crise foi o Haiti, onde aconteceram protestos contra a falta de alimentos. Garantiu que por causa da crise “os danos na população mais jovem serão para o resto da vida”, pois eles terão as seqüelas da desnutrição. Outra das preocupações do PMA na América Latina são as povoações de descendentes africanos e indígenas, que “foram excluídos durante muito tempo”. Medrano lamentou que os representantes dos países latino-americanos que participaram da cúpula da FAO não tenham falado sobre o problema indígena. Quarenta por cento dos habitantes da América Latina são indígenas e descendentes de africanos e não “foram beneficiados com projetos de proteção social que permitissem a eles terem o mínimo de dinheiro e de alimentos para sobreviver”. “Não investir nestes setores é uma dívida para o futuro da América Latina”, declarou Medrano, que explicou que segundo o último estudo de custos redigido pelo PMA “6% do Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina é perdido em conseqüência da fome e da pobreza”.
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