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Mundo

Pequim reabre Tibete ao turismo estrangeiro três meses após revoltas

Arquivo Geral

25/06/2008 0h00

Pequim decidiu reabrir hoje o Tibete ao turismo estrangeiro, site exatamente 107 dias após a região ter registrado suas piores revoltas em duas décadas contra o poder chinês, reprimidas pelo Exército em meio à contagem regressiva para os Jogos Olímpicos de Pequim.


As autoridades chinesas afirmaram hoje que o revezamento da tocha no Tibete, que ocorreu no sábado sem distúrbios, demonstrou que a situação é suficientemente “estável” para retomar a entrada de turistas.


O Bureau de Turismo do Tibete afirmou que os primeiros estrangeiros a entrarem hoje na região desde março foram dois suecos, e que no próximo domingo chegarão outros quatro cingapurianos, anunciou a agência de notícias “Xinhua”.


Pequim blindou a região após os protestos para impedir que os tibetanos reprimidos pelo Exército relatassem o ocorrido à comunidade internacional, segundo grupos críticos de ativistas tibetanos que interromperam o percurso da tocha olímpica.


O breve revezamento da tocha no sábado por Lhasa, capital do Tibete, sob forte controle policial, disparou de novo as críticas dos tibetanos no exílio, que advertiram que este ato, com o qual Pequim pretendeu deixar clara sua soberania sobre a região, provocaria mais tensões.


Para amenizar a crise, na véspera do revezamento Pequim anunciou a libertação de mais de mil tibetanos detidos nos protestos, mas também a condenação de um total de 42, enquanto outros 116 aguardam julgamento.


Os mosteiros budistas, considerados criatórios da discórdia pela China, permanecem cercados e vários monges foram submetidos a um doutrinamento contra o dalai lama, líder espiritual tibetano no exílio, a quem Pequim acusa de orquestrar o protesto, o que ele negou em várias ocasiões.


Os jornalistas que puderam viajar para o Tibete acompanhando a passagem da tocha afirmaram que os monges alegaram “não lembrar” do que aconteceu em março, ao serem perguntados sobre os protestos.


A imprensa chinesa especifica que, por enquanto, só poderão viajar ao Tibete – região que viveu momentos de autonomia antes da chegada dos comunistas chineses em 1950 – os turistas estrangeiros que o fizerem por sua conta, e não em grupos.


Por enquanto, a região também permanecerá fechada à imprensa estrangeira e a observadores internacionais, que só puderam chegar ao Tibete em duas ocasiões desde os distúrbios em viagens organizadas e estritamente controladas pelas autoridades chinesas.


Um porta-voz da Chancelaria chinesa, Liu Jianchao, disse na última terça que espera que a região se abra à imprensa em breve.


Pequim afirma que tibetanos violentos mataram 19 civis chineses nas revoltas que começaram em 10 de março em Lhasa, coincidindo com o aniversário do levante contra o regime comunista em 1959, enquanto o Governo tibetano no exílio afirma que foram mais de 200 os mortos pela repressão militar chinesa.


Embora Pequim atribua os protestos a movimentos separatistas do Tibete, analistas e testemunhas afirmam que forma fruto do mal-estar pelo aumento da pobreza entre a etnia tibetana diante do enriquecimento da chinesa Han – majoritária no país, mas minoritária na região -, em um momento de alta inflação na China.


De fato, desde 23 de abril o Tibete é acessível para os grupos de turistas chineses, que visitam a região desde a inauguração do trem Qinghai-Tibete em 2006, com grandes lucros turísticos para um setor dominado pelas autoridades chinesas.


Segundo números publicados pela “Xinhua”, o Tibete recebeu 4 milhões de turistas, a maioria chineses, em 2007, 60% a mais que no ano anterior e uma soma que iguala à população tibetana, uma tendência de alta contida após os protestos. No ano passado, os lucros chegaram a US$ 687 milhões.


A proximidade dos Jogos Olímpicos é outro forte motivo para que Pequim abra a região, após ter recebido várias críticas por descumprir seus compromissos com os direitos humanos e a recusa de alguns chefes de Estado de comparecerem à cerimônia de abertura do evento.


O próprio dalai lama, que pediu a seus seguidores que aceitassem o revezamento da tocha, se mostrou disposto a assistir à abertura dos Jogos em 8 de agosto, um desejo ao qual Pequim, que desde março se reuniu uma vez com os emissários do líder religioso, não respondeu.


 

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