Pelo menos 23 pessoas continuavam desaparecidas nesta sexta-feira (10), um dia após o início do voraz incêndio que se espalhou em grande velocidade pela província de Almería e que causou a morte de 12 pessoas nessa região do sul da Espanha, onde vivem muitos estrangeiros.
“Foi horrível. Botijões explodindo, tudo pegando fogo, casas queimando, vidros se quebrando”, descreveu um morador deslocado à agência Atlas.
Nesta região, a poucos quilômetros do Mediterrâneo e entre a sinuosa topografia de Almería, vivem muitos estrangeiros, atraídos pelo sol e pela tranquilidade.
“São estrangeiros que vivem ali. A maioria de idade avançada, que encontrou um refúgio de paz nesta zona”, explicou à rádio Cadena Cope o padre de Bédar e Los Gallardos, Víctor Fernández, acrescentando que muitos viviam “isolados”.
A rápida expansão do fogo transformou essa área em “uma espécie de ratoeira”, descreveu o presidente regional da Andaluzia, Juan Manuel Moreno Bonilla.
“Temos doze pessoas mortas e 23 não localizadas”, afirmou, ao pedir aos jornalistas prudência em relação aos desaparecidos, já que podem ser pessoas que ainda não se manifestaram.
Este incêndio, que continua fora de controle – e que já é um dos mais graves da história recente da Espanha – também deixou, até o momento, oito feridos, quatro deles em estado grave.
“Estamos diante de uma tragédia de grandes proporções”, destacou Moreno sobre “um dos incêndios mais rápidos e complexos” já enfrentados nos últimos tempos.
– “Rapidíssimo” –
O fogo teria começado, segundo os indícios, em uma vala, após a ruptura de um cabo de eletricidade que os fortes ventos rapidamente tornaram incontrolável. Em duas horas, avançou 15 quilômetros.
“Foi rapidíssimo. Foi um Fórmula 1, o fogo”, comentou outro morador evacuado à Atlas.
“Estamos diante de um incêndio muito complicado, que se espalhou como pólvora”, indicou o presidente regional. “Sabíamos que este verão seria um dos mais difíceis. E será”, avaliou.
Segundo a autoridade andaluz para emergências, Antonio Sanz, quatro das vítimas estavam em um carro com volante do lado direito, razão pela qual poderiam ser de nacionalidade britânica.
As outras sete podem ter tentado fugir caminhando pelos escarpados caminhos da região, quando se viram encurraladas pelas chamas.
O prefeito de Bédar, Ángel Francisco Collado, explicou aos jornalistas que os moradores foram alertados “de porta em porta”, mas que um grupo de pessoas “não deu ouvidos”, dos quais “sete morreram”, lamentou.
“Infelizmente, a falta de atenção a essas recomendações provavelmente provocou o triste acontecimento”, considerou o presidente da Andaluzia.
Muitos familiares usavam as redes sociais para tentar localizar seus entes queridos, como Danielle Gillam-Kirton, que pedia informações sobre seus pais, moradores de Bédar. “Estamos tentando entrar em contato com eles para verificar se estão bem. Minha mãe me escreveu ontem às 18h53 para nos dizer que estavam sendo evacuados”.
Mais de 400 efetivos de vários corpos continuam lutando contra esse incêndio que já devastou 3.150 hectares e forçou o deslocamento de 600 pessoas.
– Pêsames –
O primeiro-ministro, Pedro Sánchez, manifestou no X a sua “enorme tristeza e desolação perante as terríveis consequências do incêndio que afeta a província de Almería” e pediu “muita precaução”.
O rei Felipe VI e a rainha Letizia da Espanha, acompanhados de suas filhas, observaram um minuto de silêncio nesta sexta-feira em homenagem às vítimas e decidiram encurtar sua participação na cerimônia de formação militar da princesa Leonor, em sinal de luto pela tragédia.
“Queremos transmitir (…) nossos pêsames, nosso carinho e nosso apoio a todos aqueles que perderam entes queridos”, declarou o monarca.
O país tem enfrentado, nos últimos anos, ondas de calor cada vez mais frequentes e prolongadas, com temperaturas que ultrapassam os 40 ºC.
Os incêndios florestais devastaram quase 400.000 hectares no ano passado, o maior número registrado no país pelo Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais, e deixaram oito pessoas mortas.
AFP