Presidentes de diversos países pobres disseram hoje que a atual crise alimentícia ameaça, site por sua amplitude, a segurança de todo o mundo e requer uma resposta global a longo prazo para sua solução.
Estas idéias foram expressadas por presidentes de vários países africanos e asiáticos durante seus discursos na cúpula de segurança alimentar organizada em Roma pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).
O presidente do Djibuti, Ismail Omar Guelleh, mostrou sua “profunda preocupação” com o aumento do preço dos produtos agrícolas, cuja amplitude é “uma ameaça não só para a África, mas também para a paz e a segurança internacional”.
Além disso, ressaltou o desenvolvimento dos biocombustíveis como uma das causas da espiral em alta dos preços dos alimentos.
Para Guelleh, é “imperativo” que se aja com rapidez e de comum acordo para limitar os danos da atual insuficiência de alimentos para evitar “uma catástrofe humanitária”.
A atenção perante a crise alimentícia tem que ser “constante e não efêmera” e continuar depois desta “propicia” cúpula de Roma, foi o apelo feito pelo presidente Eritréia, Isaias Afwerki.
Assim, pediu aos 183 países participantes da cúpula que “garantam” que esta luta contra a crise alimentícia continue sendo uma prioridade.
É indispensável “uma resposta global a uma crise coletiva” para a que não bastam “paliativos a curto prazo”, mas medidas adequadas a “longo prazo.
O presidente do Sri Lanka, Mahinda Rajapakse, considerou que “é preciso reconhecer” que a crise alimentícia tem que ser enfrentada não só em nível regional, mas de forma global.
O chefe de Estado de Madagascar, Marc Ravalomanana, destacou que a África importa cada vez mais alimentos enquanto deveria se tornar exportador, aumentando a produtividade, potencializando suas infra-estruturas e desenvolvendo a transformação de seus produtos naturais.
Os países africanos têm que “aproveitar melhor suas riquezas” e ser conscientes de que podem oferecer algo mais que óleo de cozinha, minerais e mão-de-obra barata.
Quanto ao desenvolvimento dos biocombustíveis, considerou que é preciso “muita prudência” e não substituir as plantações dedicadas a produzir alimentos por cultivos utilizados para a bioenergia.
Ravaomanana considerou que não se podem separar “os desafios da mudança climática e as bioenergias dos problemas ligados à segurança alimentar e os preços dos alimentos”.