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Organizadores de ato que terminou com invasão do Capitólio trabalharam para campanha de Trump

Por ser um terreno federal, a organização do protesto contra a eleição de Joe Biden precisou pedir permissão ao Serviço Nacional de Parques

US Capitol police officers try to stop supporters of US President Donald Trump to enter the Capitol on January 6, 2021, in Washington, DC. – Demonstrators breeched security and entered the Capitol as Congress debated the a 2020 presidential election Electoral Vote Certification. (Photo by Saul LOEB / AFP)

BRUNO BENEVIDES
BERTIOGA, SP

Parte dos responsáveis por organizar a manifestação a favor de Donald Trump em Washington no último dia 6 –e que culminou com a invasão do Congresso americano– tinha trabalhado anteriormente na campanha do republicano.

As informações fazem parte da prestação de contas da própria campanha e foram reveladas pelo Center for Responsive Politics, entidade que analisa o financiamento dos políticos nos Estados Unidos.

No total, os organizadores do ato receberam US$ 2,7 milhões (R$ 14,8 milhões) da campanha de Trump. As verbas foram pagas até 23 de novembro do ano passado, quando foi realizada a última atualização da prestação de contas da campanha.

Naquela data, o protesto em Washington ainda não tinha sido anunciado oficialmente. Assim, não é possível determinar se o dinheiro recebido pelo grupo tem ligação direta com a marcha na capital ou se a campanha de Trump estava apenas pagando por serviços já prestados e sem ligação com o ato.

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A manifestação oficialmente tinha como objetivo protestar contra supostas irregularidades na eleição de 3 de novembro, que deu vitória ao democrata Joe Biden. Na prática, porém, a intenção era pressionar o Congresso americano a ignorar o resultado das urnas para permitir que Trump seguisse na Casa Branca por mais quatro anos.

Durante o evento, o próprio republicano insuflou os manifestantes a irem até o Capitólio (a sede do Congresso) para pressionar deputados e senadores –que estavam iniciando o processo para confirmar a vitória de Biden.

A multidão não apenas foi até o prédio, mas invadiu a sede do Legislativo americano, interrompendo a sessão e obrigando os congressistas a se esconderem.

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Exatamente por ter insuflado a multidão contra o Capitólio, Trump enfrenta um segundo processo de impeachment, que já foi autorizado pela Câmara e agora aguarda o julgamento no Senado. Apesar da invasão, a vitória de Biden foi confirmada na madrugada do dia 7, e o democrata tomou posse na última quarta (20).

A manifestação de 6 de janeiro aconteceu no National Mall, uma espécie de grande praça no centro da capital onde ficam os principais monumentos da cidade, incluindo o Capitólio. É semelhante, portanto, à Praça dos Três Poderes, em Brasília.

Por ser um terreno federal, a organização do protesto contra a eleição de Joe Biden precisou pedir permissão ao Serviço Nacional de Parques, que administra a área, para a realização do ato.

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Nos documentos que pedem essa autorização aparecem oito pessoas que tinham recebido dinheiro da campanha de Trump nos meses anteriores, de acordo com o levantamento do Center for Responsive Politics –as informações foram confirmadas depois pela Bloomberg e pela agência de notícias Associated Press.

É o caso, por exemplo, de Maggie Mulvaney, que foi diretora de operações financeiras da campanha de Trump (ela recebeu US$ 138 mil pelo trabalho). No documento em que pediu autorização para o evento, ela é identificada como “VIP Lead” –o terno em geral é usado para nomear a pessoa responsável por cuidar dos convidados mais importantes do evento.

Ela também é sobrinha de Mick Mulvaney, um ex-deputado republicano que foi chefe de gabinete de Trump na Casa Branca e era o enviado especial dos EUA para a Irlanda do Norte até o dia 6 (ele renunciou ao cargo após a invasão do Capitólio).

Outra pessoa citada nos documentos é Megan Powers, que foi gerente de operações da manifestação em Washington e, antes disso, era a diretora de operações da campanha do republicano (serviço pelo qual ela recebeu US$ 290 mil).

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Também aparece nas duas listas o nome de Caroline Wren, uma doadora tradicional do Partido Republicano. Ela recebeu US$ 170 mil para ser a consultora financeira da campanha de Trump e é citada como “VIP Advisor” nos documentos da organização da marcha em Washington.

Um dos responsáveis pela organização do protesto na capital, James Oaks recebeu US$ 126 mil para trabalhar na campanha do republicano. Já Ronald Holden recebeu US$ 72 mil da campanha por um trabalho como consultor no início de 2020 e depois ajudou nos bastidores da manifestação. William Wilson, outro citado nos documentos do ato, recebeu US$ 6.000 em novembro por um trabalho de consultoria para a campanha.

Também tiveram papel importante na realização da manifestação do dia 6 a dupla Justin Caporale (gerente de produção da marcha) e Tim Unes (gerente de palco). Eles receberam respectivamente US$ 144 mil e US$ 117 mil da campanha de Trump.

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Além disso, a empresa dos quais os dois são sócios, Event Strategies Inc, recebeu pagamentos que totalizam US$ 1,7 milhão da campanha republicana.

Segundo o Center for Responsive Politics, o envolvimento de pessoas ligadas a Trump na marcha pode ser ainda maior, já que muitos pagamentos não são feitos diretamente pela campanha e sim por outras entidades.

A principal organizadora do protestos, por exemplo, foi a organização sem fins lucrativos Women for America First, que por sua vez já recebeu doações da America First Policies, entidade criada pouco após a vitória de Trump na eleição de 2016 e que tem como objetivo declarado promover as ideias do republicano.

As informações são da FolhaPress






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