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Missão da ONU chega à China para avaliar situação de minorias muçulmanas

A ONU informou que um time foi enviado à China há um mês, na última semana de abril, para iniciar as investigações

Por FolhaPress 23/05/2022 5h42

A alta comissária das Nações Unidas para direitos humanos, Michelle Bachelet, chegou à China nesta segunda-feira (23) para uma visita de seis dias, naquela que é a primeira viagem oficial de um titular do cargo à nação asiática desde 2005.

O principal ponto do roteiro é Xinjiang, onde o regime comunista liderado por Xi Jinping é acusado de reprimir minorias muçulmanas como a dos uigures. O governo dos Estados Unidos, por exemplo, acusa Pequim de praticar genocídio e crimes contra a humanidade na região.

Espera-se que a alta comissária visite centros de detenção locais que, ao todo, abrigam mais de um milhão de uigures. Questionado sobre o tema, o porta-voz da chancelaria chinesa, Wang Wenbin, afirmou que Pequim facilitará a visita para “promover o desenvolvimento da causa internacional dos direitos humanos”. Acrescentou, no entanto, que o regime se opõe ao “uso do assunto para manipulação política”.

Organizações de direitos humanos, entre elas a Anistia Internacional, cobram que Bachelet, ex-presidente do Chile, assuma postura mais crítica à forma como o regime chinês trata os uigures. Os EUA chegaram a se manifestar, alegando estarem preocupados com o “silêncio frente à indiscutível evidência de atrocidades em Xinjiang”.

Wenbin afirmou que a imprensa não poderá acompanhar a viagem da funcionária da ONU -algo que, segundo o porta-voz da diplomacia, foi acordado por ambas as partes. A justificativa, disse, é a pandemia de Covid, que tem levado a China a colocar importantes regiões financeiras e sociais, como a cidade de Xangai, sob rígido lockdown.

A visita, no entanto, tem sido vista com ceticismo por aqueles que denunciam internacionalmente a situação das minorias muçulmanas locais. Ativistas afirmam que Pequim poderia utilizar a presença das Nações Unidas para mostrar apenas detalhes da situação e, desse modo, encobrir suspeitas maiores de crimes cometidos.

“Não há mais muita evidência visível de repressão”, disse à agência AFP Peter Irwin, do Projeto de Direitos Humanos Uigures. Ele afirma que Xinjiang, após uma onda massiva de encarceramento e repressão nas ruas, estaria agora focando o desenvolvimento econômico local.

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Grupos locais também afirmam que a vigilância estatal constante e o medo de represálias podem impedir que cidadãos uigures falem abertamente com a equipe da ONU. “Tememos que a visita seja manipulada pelo regime chinês”, disse Maya Wang, pesquisadora da ONH Human Rights Watch.

O instituto americano Freedom House, que descreve a China como um país “não livre” em termos de democracia e direitos políticos e civis, afirma que a detenção de mais de um milhão de uigures em prisões e campos de trabalho forçados limita as taxas de natalidade.

“Mulheres uigures e de outros grupos muçulmanos, especialmente as com dois ou mais filhos, estão sendo sujeitadas a um programa de esterilização forçada”, diz trecho do relatório mais recente do instituto.

A China nega que reprima uigures em Xinjiang e descreve as acusações como “a mentira do século”. O regime afirma que as políticas na região permitiram combater o extremismo, o separatismo e o radicalismo religioso e melhorar a qualidade de vida na fronteira noroeste do país.

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No perfil oficial do Alto Comissariado para Direitos Humanos no Twitter, uma foto na qual Bachelet aparece sentada ao lado de autoridades chinesas traz comentário da chilena: “Vamos discutir questões sensíveis e importantes de direitos humanos, e espero que essa visita nos ajude a trabalhar juntos pelo avanço dos direitos humanos na China”.

A ONU informou que um time foi enviado à China há um mês, na última semana de abril, para iniciar as investigações. A equipe ficou em Guangzhou, onde teve reuniões virtuais enquanto cumpria o tempo de isolamento determinado por Pequim. Depois, realizou conversas presenciais com a população local e com pessoas de Xinjiang.








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