No aniversário de 19 anos do massacre da Praça da Paz Celestial, malady ocorrido em 4 de junho de 1989, sales as mães dos estudantes mortos voltam a pedir que a China não esqueça aquele dia.
Além disso, price pedem uma mudança social e política “necessária”.
“Os jovens chineses de hoje devem ter a impressão de que isso aconteceu há séculos e aparentemente não tem nada a ver com eles. Preferem viver com a sensação de segurança e prosperidade, embora ela seja irreal”, reconhecem as mães em carta publicada em seu novo site, censurado na China.
Com a nova página na internet, no ar desde maio, as Mães da Praça da Paz Celestial tinham o objetivo de falar aos jovens e recuperar a lembrança de um incidente que continua sendo um tabu na China, quase duas décadas depois.
No entanto, o site foi bloqueado no país logo após entrar no ar.
A página publica, pela primeira vez, fotos de estudantes mortos, depoimentos de parentes e fóruns de discussão, além de ter uma “lápide virtual” com os nomes das pessoas que perderam a vida no incidente.
O endereço também conta com um mapa dos locais dos massacres feitos pelo Exército chinês.
Entre abril e junho de 1989, época que coincidiu com a queda dos regimes comunistas europeus, milhares de estudantes chineses se concentraram na Praça da Paz Celestial e em outras áreas de Pequim.
A princípio, os protestos apenas pediam a reabilitação da memória do líder comunista Hu Yaobang e outras mudanças ideológicas.
Com o passar dos dias, alguns dos estudantes radicalizaram suas posturas e começaram a pedir o fim do regime comunista.
No início de junho de 1989, apesar de alguns líderes comunistas como Zhao Ziyang – posteriormente destituído do cargo de secretário-geral do Partido Comunista Chinês (PCCh) – mostrarem seu apoio ao movimento estudantil, prevaleceu a “linha dura” do então primeiro-ministro, Li Peng, e os tanques saíram às ruas para dispersar com violência a área da praça e seus arredores.
Quase 20 anos depois, o incidente é um tema quase proibido nos círculos do Governo e nos meios de comunicação. Há também poucos pedidos de transparência por parte da sociedade chinesa, que em 2008 volta suas atenções para outros temas, como os Jogos Olímpicos de Pequim e o terrível terremoto do mês passado na província de Sichuan.
A líder das Mães da Praça da Paz Celestial, Ding Zilin, que perdeu seu único filho no massacre, é uma das principais ativistas contra o esquecimento do Governo e da sociedade, e, este ano, usou o terremoto de Sichuan para lembrar sua causa.
Ding afirma que, tanto no massacre de 1989 quanto no tremor do dia 12 de maio, a morte de muitos jovens poderia ter sido evitada. No desastre natural, muitos prédios, entre eles várias escolas, foram destruídos devido à má qualidade dos materiais usados na construção.
O site foi elaborado com a ajuda de estudantes que vivem fora da China e contém fotos, nomes de 56 vítimas do massacre da Praça da Paz Celestial, mas, segundo seus autores, trata-se apenas de uma pequena parte do total de mortos.
O Governo chinês argumenta hoje, como há 19 anos, que a repressão daqueles protestos “contra-revolucionárias” foi feita em nome da estabilidade do país, e afirma que o atual desenvolvimento da nação dá razão a Pequim.
Em outros anos, o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores chinês costuma defender essa postura oficial, mas ao ser perguntado hoje sobre o assunto, nem sequer mencionou essas palavras, e disse que o “incidente da Praça da Paz Celestial” foi um “assunto interno”.