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Mundo

Justiça chilena tira filho mais velho do ex-ditador Pinochet de processo

Arquivo Geral

08/05/2010 8h00

Augusto Pinochet Hiriart, filho mais velho do falecido ditador Augusto Pinochet Ugarte, foi suspenso hoje do caso dos “Pinocheques”, dinheiro que o Exército girou a nome de Pinochet Hiriart, ao determinar que os recursos não terminaram nas contas bancárias do ex-ditador (1973-1990).

Nesta sexta-feira o juiz Manuel Valderrama considerou que os fundos ligados à empresa Valmoval, que fabricava fuzis, não têm relação com o caso do banco Riggs, que ele investiga, e que, portanto, deve-se sobressair sob a figura de coisa julgada.

“Tendo como objetivo determinar a fortuna do ditador, se resolve que os valores correspondentes à denominada operação Valmoval não foram passados em sua oportunidade ao patrimônio do general Pinochet”, precisou Valderrama.

A companhia fabricava fuzis, mas estava praticamente quebrada quando foi adquirida em 1987 pelas Fábricas e Oficinas de artilharias do Exército (Famae), que a pagou com três cheques, totalizando 900 milhões de pesos (cerca de US$ 3 milhões de então), em nome de Pinochet Hiriart.

 

O juizreabriu o caso em setembro de 2009 quando citou o filho mais velho do falecido ditador ao declará-lo pela primeira vez como acusado nesta causa, onde se persegue a responsabilidade dele e de outras 15 pessoas pelo delito de desvio de fundos públicos.

O caso dos “Pinocheques”, como é chamado pela imprensa, causou comoção na época e pressões do Exército para que não fosse averiguado, como o aquartelamento de tropas no dia 19 de dezembro de 1990, conhecido como o “Exercício de enlace”, ordenado por Pinochet.

A inquietação causada pelo movimento fez com que o presidente Patrício Aylwin (1990-1994) chamasse Pinochet para pedir uma explicação.

“Não temos por que avisar sobre nossos exercícios ao Governo. Somos o Exército, não incomodamos ninguém, não saímos à rua”, disse Pinochet, desafiador, na saída da reunião.

No tanto, a investigação sobre a origem da fortuna de Pinochet foi aberta em 2005, com o descobrimento de mais de uma centena de contas secretas que o ditador mantinha, sob nomes falsos, no Riggs Bank dos Estados Unidos e em outras instituições.

 

Nessas contas havia pouco mais de US$ 26 milhões, de acordo com os juízes que averiguaram o caso no Chile, Sergio Muñoz, Carlos Cerda e agora Manuel Valderrama, dos quais mais de US$ 20 milhões aparecem sem justificativa legal.

 

Quando morreu, em dezembro de 2006, Pinochet estava sendo processado por fraude tributária e uso depassaportes falsos, além de desvio de fundos públicos. EFE

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