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Índia impõe toque de recolher na Caxemira após onda de violência

Arquivo Geral

12/08/2008 0h00

Pelo menos 12 pessoas morreram hoje em um novo dia de protestos na Caxemira, side effects onde uma onda de violência que já dura duas semanas matou 30 pessoas e levou o Governo indiano a impor toque de recolher em toda a região pela primeira vez em 13 anos.

Desafiando o toque de recolher, cure pelo menos 20 mil pessoas se somaram a três passeatas de líderes muçulmanos da região em direção à mesquita de Srinagar para participarem do funeral de um de seus dirigentes, visit morto nesta segunda-feira por forças da ordem.

Os dirigentes fizeram caso omisso da ordem de prisão domiciliar imposta na segunda-feira pelo Governo, enquanto as forças de segurança não conseguiam conter as multidões em várias localidades de todo o vale da Caxemira.

Fontes policiais citadas pelas agências “PTI” e “Ians” informaram sobre dez vítimas fatais e 70 feridos nas ações dos agentes contra manifestantes tanto na capital, Srinagar, e seus arredores, como nas cidades de Bandipora e Nagabas.

A violência se estendeu a Jammu, onde se concentra a minoria hindu da Caxemira.

Duas pessoas morreram e pelo menos 20 ficaram feridas na intervenção das forças da ordem para conter enfrentamentos entre muçulmanos e hindus na localidade de Kishtwar, em Jammu, onde o Exército precisou chamar reforços.

“A situação estava fugindo ao controle, e a Polícia teve que abrir fogo”, explicou uma fonte oficial à “Ians”.

O porta-voz do Exército indiano, Anil Mathur, também informou que os soldados atiraram em legítima defesa em Bandipora, pois os manifestantes tinham invadido um quartel, segundo a “PTI”.

Muçulmanos e hindus têm protagonizado os protestos que começaram em junho após a expropriação de terrenos do comitê do Templo de Amarnath para acomodar os milhares de peregrinos que irão, no dia 16 de agosto, ao santuário hindu, situado a 3.888 metros de altitude.

A concessão gerou distúrbios de muçulmanos, que são maioria na Caxemira, e fez as autoridades revogarem sua decisão no início de julho.

Desta vez, os ânimos da população hindu da Caxemira, que se concentra ao redor de Jammu, levaram a região a uma situação de caos, toques de recolher, interrupção de provisões de alimentos e remédios e isolamento com o resto do país.

Após semanas de bloqueio da região, os comerciantes de frutas, apoiados pelos dois principais partidos separatistas da região, fizeram na segunda-feira uma passeata em direção à fronteira com a Caxemira paquistanesa com a intenção de comercializar seus produtos fora do estado.

Seis pessoas morreram na segunda-feira atingidas por disparos de agentes contra os 30 mil manifestantes que tomaram a estrada de Srinagar em direção à capital da Caxemira paquistanesa, Muzaffarabad.

A morte do líder separatista Sheikh Abdul Aziz, da Conferência Hurriyat, fez as autoridades temerem que a violência aumentasse hoje, e decidiram declarar o toque de recolher.

A Índia e o Paquistão disputam a Caxemira desde a independência e a partilha dos dois países, em 1947.

O Governo indiano se demonstrou incapaz de conter a onda de violência na região em uma semana chave em que os dois países comemoram suas independências, às vésperas da grande peregrinação hindu ao templo de Amarnath.

O Ministério de Assuntos Exteriores da Índia classificou hoje de “interferências” as críticas paquistanesas contra a atuação das forças de segurança na Caxemira indiana.

Em comunicado, um porta-voz do ministério destacou que o Executivo da Índia e o Governo da Caxemira indiana “estão dando todos os passos necessários para restabelecer a lei e a ordem nesta parte do país”.

Já o ministro de Assuntos Exteriores do Paquistão, Mahmoud Qureshi, censurou hoje em comunicado o “excessivo uso da força” aplicada pelas forças de segurança indianas contra manifestantes muçulmanos na Caxemira.

Qureshi também expressou suas condolências pelo “martírio” de Sheikh Abdul Aziz.

O chanceler paquistanês “pediu o fim imediato da violência” na região, segundo a nota.

O ministro do Interior indiano, Shivraj Patil, que viajou à Caxemira no final de semana, convocou hoje uma nova reunião com representantes de todos os partidos políticos, à qual não compareceram alguns interlocutores locais.

De fato, o Shri Amarnath Sangarsh Samiti, que reúne 30 grupos hindus, convocou novas manifestações para amanhã para reivindicar seus direitos e comemorar a independência da Índia.

O primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, também convocou para esta quarta-feira uma grande reunião com líderes de todos os partidos políticos, semelhante à realizada na semana passada.

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