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Mundo

“Ilegal”, diz Rússia sobre suspensão de Conselho da ONU

Dos 193 Estados-membros da assembleia, 93 votaram a favor da suspensão, enquanto 24 votaram contra, e 58 se abstiveram

Redação Jornal de Brasília

07/04/2022 16h14

Foto: Sputnik/Alexei Druzhinin/Kremlin via Reuters

Nesta quinta-feira (07), a Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU) decidiu suspender a Rússia do Conselho de Direitos Humanos como forma de represália à invasão da Ucrânia.

A medida foi concretizada após uma votação entre os países pertencentes ao conselho, onde, dos 193 Estados-membros da assembleia, 93 votaram a favor da suspensão, enquanto 24 votaram contra, e 58 se abstiveram.

Pouco após a decisão, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia se pronunciou e qualificou a suspensão como “ilegal e motivada politicamente, com o objetivo de castigar de maneira pública um Estado-membro soberano da ONU que tem uma política interna e externa independente”, pelo qual decidiu rescindir sua participação de forma “precipitada”.

Esta é a segunda vez na história que um país é suspenso do conselho, sendo que a Líbia foi o primeiro, em 2011.

A Ucrânia agradeceu pela medida e afirmou que”criminosos de guerra” não deveriam estar sendo representados nesses espaços da ONU. “Os criminosos de guerra não têm lugar nos organismos da ONU encarregados da proteção dos direitos humanos”, disse o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, no Twitter. 

Votos

Além da China, aliada da Rússia, Irã, Cazaquistão, Bolívia, Rússia, Belarus e Síria e Cuba se opuseram à suspensão. O país de Xi Jinping considerou “iniciativa precipitada” que “adiciona lenha à fogueira” e um “precedente perigoso”. A Vezenuela chegou a tentar se opor, mas, por estar com acúmulo de dívidas, perdeu o direito.

Já dos que votaram a favor, os latino-americanos foram Argentina, Colômbia, Chile, Costa Rica, Equador, Guatemala, Honduras e Uruguai. Países africanos, como África do Sul e Senegal, optaram por esperar os resultados da comissão de investigação e se abstiveram, mesmo com as recentes pressões sofridas.

Além deles, o Brasil, México e Índia, que, atualmente, não são membros permanentes do conselho, também se abstiveram

“O Brasil decidiu se abster na votação de hoje porque acredita que a comissão de inquérito deve ter permissão para concluir sua investigação independente para que as responsabilidades possam ser determinadas”, disse o embaixador do Brasil na ONU, Ronaldo Costa Filho.

Ronaldo ainda acrescentou que seu país, “profundamente preocupado” com supostas violações de direitos humanos na Ucrânia, está “totalmente comprometido em encontrar maneiras de cessar imediatamente as hostilidades e promover um diálogo real que leve a uma solução pacífica e sustentável”.

A Rússia é acusada de crimes de guerra e atrocidades contra civis nas áreas ucranianas que ocupou, como Bucha, o que acelerou a decisão de Washington de solicitar sua suspensão ao Conselho de Direitos Humanos. 

A Rússia tem sido um membro intermitente do Conselho desde 2006 porque apenas dois mandatos consecutivos são permitidos. O atual expiraria em 2023. A Ucrânia atualmente o integra. 

Com informações da AFP

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