O Fundo Monetário Internacional (FMI) dobrou hoje sua previsão de crescimento para os Estados Unidos em 2008, this para 1,1%, após constatar um desempenho melhor do que o esperado no primeiro trimestre.
Entretanto, a instituição manteve sua opinião de que o crescimento do país após o atual período de esfriamento econômico será mais lento que em outros episódios similares no passado, ao contrário do que pensam inúmeros analistas particulares.
Para 2009, a entidade prevê um crescimento de 0,8%, contra o 0,6% que previu em abril.
A previsão de crescimento para 2008 passou por uma mudança mais radical, subindo para 1,1% quando há apenas dois meses existiam previsões de 0,5%.
A razão foi um primeiro trimestre muito melhor que o previsto, com um crescimento de 0,9% em termos anuais, no meio de uma autêntica tempestade de problemas financeiros e imobiliários, e a escalada espetacular do petróleo.
Em entrevista coletiva, o americano John Lipsky, o “número dois” do FMI, destacou especialmente as informações “muito favoráveis” de produtividade do primeiro trimestre.
Em abril a entidade previu uma recessão suave durante o ano nos EUA, que previa uma contração de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) caso fosse medido do quarto trimestre de 2007 até o quarto trimestre de 2008.
No entanto, a palavra recessão saiu da boca dos analistas, que agora acreditam que o crescimento do PIB calculado segundo este método será simplesmente nulo.
Para a segunda metade deste ano o Fundo prevê fraqueza econômica em todos os países industrializados “pela primeira vez em uma década”, declarou Lipsky.
Por outro lado, as nações emergentes serão uma fortaleza econômica, o que ajudará a influenciar os países ricos.
Na América Latina o perigo é a inflação, mais que um arrefecimento econômico, afirmou na entrevista coletiva Anoop Singh, diretor desta região no FMI. “O crescimento continuará razoavelmente robusto”, previu.
Considerando que os números econômicos dos EUA foram melhores que o calculado, o FMI recomendou ao Federal Reserve (Fed, banco central americano) que mantenha as taxas de juros inalteradas após as reduções drásticas desde agosto, quando os problemas no mercado imobiliário detonaram a turbulência financeira que ainda perdura.
Os analistas particulares também apostam que o Comitê do Mercado Aberto do Fed não modificará a taxa de juros na próxima quarta, quando definir o caminho a ser seguido em sua política monetária.
Para o FMI, há “sinais” de que as perspectivas de inflação estão em alta nos EUA.
Por isto, sugeriu ao Fed que aumente as taxas de juros “rapidamente”, logo que se consolide a recuperação econômica.
Segundo Lipsky, em entrevista ao jornal “Ámbito Financiero”, “apesar de as condições continuarem muito distante da normalidade, melhoraram”, e como prova citou que os bancos captaram US$ 200 bilhões de capital para sanear suas contas nos últimos meses.
Mesmo assim, o FMI não descartou que voltem os problemas que levaram ao colapso do banco de investimento Bear Stearns e afirmou que caso estes temores se materializassem, o banco central poderia prorrogar o vencimento dos empréstimos que oferece às instituições financeiras.
No terreno imobiliário, a entidade considerou “claro” que os preços diminuirão ainda mais e disse que existe o risco de uma queda “excessiva”, maior do que estaria justificado, como costuma acontecer quando explodem as bolhas econômicas.
Por isto, declarou que apóia as propostas debatidas atualmente no Congresso dos EUA para oferecer novas ajudas aos proprietários com água no pescoço.
Os especialistas do FMI fizeram sua avaliação da economia dos EUA após realizarem reuniões com as autoridades econômicas deste país e apresentarão seu relatório no final de julho ao Conselho Executivo da instituição, que representa seus 185 membros.