O enviado especial da Casa Branca para o Oriente Médio, George Mitchell, se reuniu hoje em Jerusalém com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pela segunda vez em 24 horas com o objetivo de buscar a retomada do processo de paz na região.
A reunião precede o encontro que Mitchell terá amanhã com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, em Ramala (Cisjordânia) para discussões sobre o mesmo assunto.
A reunião com Netanyahu durou várias horas, mas o Gabinete do primeiro-ministro de Israel não forneceu informações sobre a mesma. Fontes diplomáticas americanas tampouco quiseram dar detalhes sobre o encontro.
Pouco antes, Mitchell se reuniu em Tel Aviv com o ministro da Defesa de Israel e ex-chefe do Governo, o trabalhista Ehud Barak.
Na reunião, de uma hora de duração, ambos analisaram as vias para retomar o diálogo indireto sob mediação, denominado no jargão americano “conversas de proximidade”. Eles também discutiram meios para impulsionar as negociações rumo a encontros diretos entre as duas partes.
O propósito das ações do enviado de Washington é preparar o processo de paz entre as partes após 16 meses de rompimento, resultado da ofensiva militar lançada por Israel na Faixa de Gaza em dezembro de 2008 e janeiro de 2009.
Mitchell deve fazer as vezes de mediador entre israelenses e palestinos em uma tentativa de amenizar as tensões e estimular as negociações diretas.
Por enquanto, tanto israelenses quanto diplomatas americanos reconhecem que o processo de negociação sob mediação americana não será muito diferente das últimas tentativas de Mitchell para aproximar as posições de Jerusalém e Ramala.
No entanto, Israel e Estados Unidos preferem manter a discrição sobre o assunto, aparentemente com o objetivo de não prejudicar a evolução do processo.
Por sua vez, Abbas está à espera de receber sinal verde por parte da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) no próximo sábado, dia em que se espera um anúncio oficial palestino sobre o início das negociações indiretas, após receber no fim de semana passado o apoio da Liga Árabe.
“Até agora, não podemos dizer que há um acordo (para retomar a negociação) ou não”, afirmou ontem o presidente da ANP após se reunir com o rei Abdullah II da Jordânia.
No entanto, Abbas comentou: “Há uma posição da Liga Árabe que, certamente, é muito importante. No sábado, a liderança palestina terá uma reunião e depois informaremos a George Mitchell que vamos retomar as negociações e negociar os assuntos relacionados com o estatuto definitivo”.
Israel se comprometeu a discutir nessas negociações sobre os principais pontos de conflito (fronteiras, refugiados, Jerusalém, segurança e aqüíferos), mas, ao contrário dos palestinos, é favorável a começar por questões como segurança e economia, conforme revela a imprensa local.
O enviado especial de Washington deve se reunir amanhã em Jerusalém com o presidente de Israel, Shimon Peres, antes de partir a Ramala para fazer o mesmo com Abbas.
No sábado, Mitchell continuará seu trabalho na capital administrativa da Cisjordânia com encontros diversos com líderes palestinos, antes de encerrar sua visita à região no domingo.
Mitchell se reuniu ontem com Netanyahu durante três horas. Parte da conversa foi somente entre ambos e outra parte teve a companhia do embaixador americano David Hale, o responsável para o Oriente Médio e Norte da África do Conselho de Segurança Nacional americano, Dan Shapiro, e os assessores de Netanyahu, Yitzhak Moljo e Uzi Arad.
Prevê-se que as negociações aconteçam de forma indireta durante um prazo de quatro meses fixado pela ANP, após o qual ambas as partes devem se preparar para negociações sem mediação.