Dois navios de guerra dos Estados Unidos navegaram neste domingo (28) pelo Estreito de Taiwan, informou a Marinha americana, na primeira incursão deste tipo desde que a China executou manobras militares sem precedentes ao redor da ilha.
Em um comunicado, a Marinha afirmou que a manobra “demonstra o compromisso dos Estados Unidos com uma região Indo-Pacífico livre e aberta”.
A tensão no Estreito de Taiwan atingiu um nível que não era observado em vários anos após a visita a Taipé no início do mês da presidente da Câmara de Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, a terceira maior autoridade eleita do governo americano.
A China reagiu com irritação e executou exercícios militares ao redor da ilha durante vários dias. Taiwan condenou os exercícios e testes com mísseis, que considerou um treinamento para uma invasão.
Taiwan – que tem um governo autônomo e onde vivem 23 milhões de pessoas – vive sob a constante ameaça de uma invasão por parte da China, que reivindica esta ilha de administração democrática como parte de seu território e promete recuperá-la algum dia, inclusive pela força, se necessário.
Washington reconhece diplomaticamente Pequim sobre Taipé, mas mantém relações de fato com Taiwan e apoia o direito que a ilha tem de decidir seu futuro.
Pequim, no entanto, considera Taiwan uma de suas províncias, que não conseguiu incorporar ao restante de seu território desde o fim da guerra civil chinesa (1949).
A Sétima Frota dos Estados Unidos afirmou que os dois navios da classe Ticonderoga, o USS Antietam e o USS Chancellorsville, cumpriram o trânsito “de rotina” no domingo “por águas onde se aplicam a liberdade de navegação e voo em alto-mar, de acordo com o direito internacional”.
“Estes navios transitam por um corredor no estreito que está fora do mar territorial de qualquer país”, destacou a Marinha.
“Alerta máximo”
Um porta-voz da Casa Branca, John Kirby, afirmou ao canal CNN que esta operação “envia uma mensagem muito clara: a Marinha americana navegará, voará e vai operar em todos os lugares que o direito internacional permite”.
Kirby, contra-almirante da reserva da Marinha, disse que a operação havia sido “planejada há muito tempo”.
O Exército Popular de Libertação (EPL) da China reagiu e afirmou que o governo dos Estados Unidos “exagerou abertamente” com a passagem dos navios pelo Estreito.
O Comando de Operações do Leste do EPL “está acompanhando e advertindo os navios americanos durante toda a travessia e está a par de suas movimentações”, afirmou o porta-voz, coronel Shi Yi.
“As tropas do departamento (leste) permanece em alerta máximo e estão preparadas a todo momento para desbaratar qualquer provocação”, acrescentou.
O ministério taiwanês da Defesa confirmou em uma nota a passagem dos dois navios em uma trajetória do norte para o sul pelo canal.
“Durante o percurso na direção sul pelo Estreito de Taiwan, as Forças Armadas (taiwanesas) monitoraram todos os movimentos relevantes em nosso espaço marítimo e aéreo. A situação é normal”.
“Liberdade de navegação”
A Sétima Frota dos Estados Unidos tem sede no Japão e é uma parte essencial da presença naval de Washington no Pacífico.
Estados Unidos e seus aliados ocidentais aumentaram as travessias de “liberdade de navegação” por navios de guerra do Estreito de Taiwan e no Mar da China Meridional para reforçar o conceito de que estes mares são vias navegáveis internacionais, o que irrita Pequim.
Washington afirmou que sua posição sobre Taipé permanece inalterada e acusa Pequim de ameaçar a paz no Estreito de Taiwan, usando a visita de Pelosi como pretexto para exercícios militares.
As simulações de treinamento chinesas incluíram o lançamento de mísseis balísticos em águas próximas a Taiwan, uma das rotas de navegação mais transitadas do mundo, algo que Pequim não fazia desde meados da década de 1990.
Taiwan também organizou exercícios militares para simular a defesa contra uma invasão e exibiu seu avião de combate mais avançado, durante uma rara manobra noturna.
Com o governo de Xi Jinping, presidente da China desde 2013, o tom de Pequim a respeito de Taiwan se tornou cada vez mais agressivo, com aumento da atividade militar e mensagens mais combativas nos últimos anos.
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