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Defesa da democracia será tema central na Cúpula das Américas, diz organizadora

Nas últimas semanas, os EUA fizeram algumas concessões, como a retirada de medidas impostas durante o governo Trump

Por FolhaPress 24/05/2022 6h09

Rafael Balago
Washington, EUA

A Cúpula das Américas terá cinco assuntos prioritários, mas a defesa da democracia deverá ser o principal, explica Debbie Mucarsel-Powell, conselheira especial para o evento. Ela disse também que o encontro será usado para debater o combate à desinformação e estimular o avanço de tecnologias como o 5G.

Organizado pelos EUA, o encontro pretende reunir líderes do continente em Los Angeles no começo de junho. O presidente Jair Bolsonaro ainda não confirmou presença, apesar da insistência feita pelo governo americano. Nesta terça (24), um enviado do presidente Joe Biden foi a Brasília reforçar o convite e ofereceu a possibilidade de uma reunião bilateral entre os dois líderes.

“A cúpula vai perseguir uma agenda regional centrada em nosso apoio compartilhado à democracia e direitos humanos”, afirmou Powell, em um debate realizado pelo centro de estudos Atlantic Council.

“Estou buscando garantir que a cúpula mantenha o foco em proteger a democracia e na governança democrática. Não vamos ser capazes de atingir as metas se não tivermos confiança em nossas instituições.”

A conselheira explicou que os principais temas do evento, além da proteção à democracia, são aumentar a resiliência contra pandemias, construir um futuro verde, estimular o uso de energias limpas e acelerar a transformação digital no continente. Há a expectativa de que os líderes participantes assumam novos compromissos nessas áreas.

Powell, 51, é filiada ao Partido Democrata e foi deputada pela Flórida (2019-21). Ela também disse que haverá debates na Cúpula sobre como combater a desinformação em redes sociais, e que o evento buscará meios de aumentar o acesso das pessoas mais pobres da região a novas tecnologias, mas de forma a garantir a segurança dos dados, em uma crítica indireta à presença da China nesse mercado.

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“Temos visto um crescimento do comércio online, do empreendedorismo e de negócios inovadores. Mas não podemos fazer isso sem realmente olhar sobre como isso afeta a democracia e a segurança. Os governos da região precisam ter certeza de que os equipamentos e softwares de 5G não vão introduzir riscos que podem ameaçar a segurança nacional”, afirmou.

A China é um grande fornecedor de tecnologias de conexão 5G, e busca fechar negócios com países do continente, enquanto os EUA, há alguns anos, pressionam os governos da região a não adotar equipamentos chineses.

A conselheira contou ainda que os organizadores estão conversando por WhatsApp com cerca de 250 representantes da oposição em Cuba, Venezuela e Nicarágua, que moram nesses países. Parte dos debates tem ocorrido por meio de troca de mensagens de áudio. “O único acesso que eles têm para se conectar com os outros fora de Cuba ou da Venezuela é por meio desse tipo de tecnologia”, comentou.

Os governos de Cuba, Venezuela e Nicarágua não foram convidados para o encontro, pois são considerados ditaduras pelos Estados Unidos. Em resposta ao veto, o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, disse só iria caso os líderes desses três países sejam chamados.

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Nas últimas semanas, os EUA fizeram algumas concessões, como a retirada de medidas impostas durante o governo Trump a remessas de dinheiro e viagens a Cuba. Na prática, as novas determinações facilitam, entre outros pontos, o envio de dólares de cubanos que moram nos EUA para familiares na ilha. Já o alívio das sanções contra a ditadura de Nicolás Maduro deve permitir que a estatal petrolífera PDVSA realize negócios antes proibidos.

O governo americano está preocupado com um possível esvaziamento do encontro, idealizado pela Casa Branca como uma tentativa de retomar o protagonismo na região. Realizar o encontro nos EUA sem os governantes das duas maiores economias da região seria considerado um fiasco diplomático. Assim, autoridades americanas têm agido para tentar convencer Obrador e Bolsonaro a irem.

Ao longo de seu mandato, Bolsonaro deu diversas declarações em que colocou em xeque a legitimidade das eleições em caso de uma eventual derrota na busca pela reeleição. O líder brasileiro deu apoio público a Donald Trump, que perdeu a reeleição em 2020 e não reconheceu o resultado, e até hoje não conversou com Biden. Caso ele decida ir à Los Angeles, os dois poderão ter sua primeira reunião bilateral.

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