Os dez chefes de Estado e de Governo da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) inauguraram nesta terça-feira uma cúpula de dois dias em Phnom Penh para avançar na zona de livre-comércio que o grupo dará início em 2015.
O primeiro-ministro cambojano, Hun Sen, abriu a sessão plenária com um chamado a redobrar “os esforços para aumentar o crescimento (econômico) e melhorar a distribuição de renda oriunda do desenvolvimento entre os países-membros”.
Fundada 1967, a Asean é formada por Mianmar, Brunei, Camboja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Cingapura, Tailândia e Vietnã.
O líder que governa no Camboja ininterruptamente desde 1985 disse que seus principais objetivos neste ano, no qual seu país ocupa a Presidência rotativa do bloco regional, serão prevenir futuras crises e fortalecer os mecanismos de estabilidade financeira na região.
Neste sentido, o anfitrião da reunião considera necessário aumentar a capacidade do fundo anticrise de US$ 120 milhões para US$ 240 milhões.
Hun Sen também vai propor a proteção dos trabalhadores emigrantes e um fundo de investimentos em infraestruturas.
Cingapura aprovou neste mês que as 200 mil domésticas que trabalham no país, a maioria delas procedentes das Filipinas, Indonésia, Índia e Sri Lanka, tenham um dia de descanso semanal a partir de 2013.
A Asean forma uma comunidade de perto de 620 milhões de pessoas que reúne economias com diferentes ritmos de desenvolvimento que crescerão em torno de 5,3% em média em 2012, conforme as previsões do Banco Asiático de Desenvolvimento.
A diferença no nível de progresso representa obstáculo à criação da zona de livre-comércio porque enquanto Cingapura liberalizou sua economia há anos outros países-membros estão muito mais atrasados.
“Todos os países-membros estão comprometidos com os objetivos de 2015, mas também reconhecemos que cada nação tem suas próprias limitações legais, especialmente no que diz respeito ao investimento e ao serviço”, declarou o vice-ministro de Comércio das Filipinas, Adrian Cristobal, durante as reuniões preparatórias desta cúpula.
Enquanto para as Filipinas ainda resta tempo suficiente para superar as diferenças, para o secretário-geral da Asean, o tailandês Surin Pitwuwan, o prazo é curto.
“Faltam menos de três anos para alcançar a integração econômica”, advertiu Surin em entrevista coletiva em Phnom Penh.
Além dos assuntos econômicos, os líderes conversarão durante os dois dias de sessões sobre a tensão que geram as disputas pela soberania no Mar da China Meridional e o satélite de observação que a Coreia do Norte declarou que pretende lançar entre os dias 12 e 16 de abril.
Seis nações reivindicam total ou parcialmente a soberania do arquipélago Spratly, rico em recursos energéticos, enquanto China, Vietnã e Taiwan brigam pelas ilhas Paracel.
A Asean pediu nesta terça-feira à União Europeia (UE) que levante as sanções impostas a Mianmar em resposta ao processo de democratização que se desenvolve no país, confirmaram fontes oficiais.
O pedido ocorreu após as eleições parciais realizadas no domingo em Mianmar nas quais a oposição democrática que comanda a vencedora do prêmio Nobel da paz Aung San Suu Kyi ganhou quase todas as cadeiras em disputa, conforme os resultados preliminares.
Na cúpula passada, a Asean aprovou que Mianmar ocupará a Presidência rotativa do grupo em 2014, após adiar a decisão durante anos porque o país era governado por uma ditadura militar.
A última junta militar birmanesa se dissolveu em 2011 e entregou o poder a um Governo civil afim que iniciou um programa de reformas reconhecido pela comunidade internacional.
A cúpula da Asean chega ao fim nesta quarta-feira com a chamada Declaração de Phnom Penh.