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China faz maior incursão aérea da história contra Taiwan

Foram 71 aviões de combate no ar, com mais da metade deles invadindo o fronteira virtual que divide a ilha que Pequim considera sua

FolhaPress

26/12/2022 10h09

Foto: Ministério da Defesa de Taiwan

Igor Gielow
São Paulo, SP

A China fez a maior mobilização aérea de sua história contra as defesas de Taiwan em um só dia, entre domingo (25) e segunda (26).


Segundo o Comando do Teatro Oriental do Exército de Libertação Popular, a ação visou alertar Taipé após os Estados Unidos aprovarem um pacote com mais ajuda militar à ilha, que não consideram independente, mas que ao mesmo tempo salvaguardam contra uma invasão chinesa.

Na semana passada, o governo de Joe Biden assinou o Ato de Resiliência Ampliada de Taiwan, um instrumento do orçamento militar aprovado no Senado que prevê US$ 10 bilhões em fornecimento militar para Taiwan nos próximos cinco anos.

Segundo o Ministério da Defesa taiwanês, 47 dos aviões cruzaram a chamada linha mediana, que divide sem reconhecimento oficial as áreas chinesa e de Taipé, sobre o estreito marítimo que separa os territórios.

Foi um exercício especialmente elaborado, com caças J-11, Su-30, J-10 e J-16. Também estiveram envolvidos aviões-radar, aparelhos de guerra antissubmarino e drones de reconhecimento. Taiwan mobilizou um número incerto de caças e ativou suas defesas aéreas terrestres e em navios, segundo o ministério.

Com isso, o ano chega a mais um ponto de tensão na relação entre a ilha, destino da liderança política derrotada pela Revolução Chinesa de 1949. O regime comunista em Pequim opera pelo princípio de que só há uma China, e mesmo os aliados de Taipé em Washington não reconhecem sua soberania política, justamente porque mantém relações com os chineses.

Sob Biden, que assumiu no ano passado, a Guerra Fria 2.0 iniciada por Donald Trump contra a assertividade do líder Xi Jinping em 2017 ganhou contornos mais definidos. Na gestão do atual presidente americano, foram aprovadas mais de dez vendas de armas avançadas a Taipé.

Em agosto, o embate escalou significativamente quando a presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, decidiu fazer a primeira visita de uma pessoa em seu cargo em 25 anos a Taiwan.

O gesto de apoio político, que não foi secundado por Biden, colocou as forças de Xi em estado de alerta quase permanente no estreito, após os maiores exercícios aeronavais da história na região.

O acirramento havia sido algo aliviado após uma reunião entre o chinês e o americano, no qual Xi buscou aproximar-se de Biden em um momento de dificuldades econômicos -e a debacle de sua política de Covid zero, que está levando caos e incerteza à China, ainda nem havia ocorrido.

Na reunião, o chinês reafirmou seu comprometimento em reintegrar Taiwan ao continente, mas também fez menções menos efusivas em relação à aliada Rússia na Guerra da Ucrânia, ainda que mantenha grande proximidade com o Kremlin.

Em toda a região, essa dinâmica reverbera: os japoneses, de olho nas intenções chinesas em Taiwan, resolveram dobrar em cinco anos seu gasto militar. O país e a Coreia do Sul têm lidado com as crescentes patrulhas conjuntas sino-russas, que testam sua prontidão nos ares.

Por fim, temperando tudo, as provocações de um aliado menor de Pequim, a ditadura da Coreia do Norte, só fizeram crescer com lançamentos de mísseis diversos ao longo deste ano. Nesta segunda, caças sul-coreanos foram mobilizados contra o que foi reportado como uma invasão de seu espaço aéreo por aviões do norte.

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