O chanceler argentino, Héctor Timerman, pediu nesta sexta-feira a seus colegas na 6ª Cúpula das Américas apoio para condenar o que qualificou como uma “agressão da Grã-Bretanha à Argentina”, em alusão ao fato de a soberania das Ilhas Malvinas estar em mãos britânicas.
Timerman fez esta solicitação durante o Diálogo Político entre atores sociais e governos que precede a reunião de governantes de sábado e domingo, para a qual estão convocados 33 chefes de Estado e Governo, entre eles Dilma Rousseff e Barack Obama.
“Temos os desafios do século 21 e a Argentina ainda luta contra o colonialismo do século 19”, afirmou o chanceler, ao indicar também que “enquanto a Argentina não for um país soberano, as Américas não serão soberanas”.
Ao término da primeira reunião de chanceleres das Américas realizada na quinta-feira, Timerman também fez nesta quinta-feira referência a este assunto, ao comentar que seu país conta com o apoio da Comunidade de Estados da América Latina e do Caribe (Celac) e da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).
O chanceler peruano, Rafael Roncagliolo, também mencionou o litígio das Malvinas e comentou que “todos os países deste hemisfério foram colônias das potências europeias e têm uma dívida secular”.
Por isso lembrou que toda a América Latina tem “um compromisso anticolonial” e que a América do Norte acompanhou processos de descolonização.
“Por isso não se pode entender que um país se empenhe em não respaldar o anticolonialismo no caso das Malvinas, que é um resíduo colonial”, manifestou em alusão aos Estados Unidos.
Depois o chanceler paraguaio, Héctor Lacognata, se expressou em termos similares e fez um chamado à união de forças para mudar o modelo econômico e social, ao mencionar de forma específica “os enclaves coloniais e o isolamento injustificado do povo cubano”.
As posições de Argentina, Peru e Paraguai, no entanto, não parecem encontrar um consenso entre todos os participantes da Cúpula das Américas, entre eles EUA e Canadá, este último ainda ligado à Coroa britânica.
Assim revelou o chanceler panamenho, Roberto Henríquez, que desde Cartagena falou com o canal “TVN-2” de seu país e deixou claro que, apesar das deliberações de quinta-feira “terem exigido muito tempo”, não houve acordos em temas como as Malvinas e a incorporação de Cuba às próximas cúpulas.