O governo sul-africano perdeu uma batalha judicial em sua tentativa de anular a autorização para exportar chifres de rinoceronte de reservas privadas, anunciou nesta sexta-feira (3) o proprietário da reserva que havia obtido a permissão.
O comércio internacional de chifres de rinoceronte é proibido desde 1977 pela Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (Cites).
Os defensores da proibição argumentam que ela é essencial para proteger da caça ilegal as populações de rinocerontes, que estão diminuindo. Já aqueles que apoiam o comércio legal sustentam que a venda regulamentada de chifres retirados de animais vivos ajuda a combater o mercado clandestino e, simultaneamente, financia a conservação das reservas.
Wicus Diedericks, proprietário de uma reserva de 13.000 hectares na província do Cabo Norte, na África do Sul, obteve uma autorização judicial em 2025 para exportar mais de 500 chifres de rinoceronte branco.
Em um comunicado divulgado nesta sexta-feira, informou que o Tribunal Superior do Cabo Norte rejeitou o recurso apresentado pelo governo.
“Esta decisão histórica valida o direito de conservacionistas privados e criadores de financiarem seus custosos esforços de conservação”, afirmou.
“É uma decisão que, segundo especialistas, pode salvar a espécie, fornecer financiamento sustentável para a conservação e apoiar comunidades rurais em toda a África do Sul”, acrescentou.
Por sua vez, o Departamento do Meio Ambiente informou à AFP que o ministro recém-nomeado, David Maynier, está “analisando a decisão” e decidirá se irá recorrer.
A África do Sul abriga a maior população de rinocerontes do mundo. É também um importante foco de caça furtiva, impulsionada pela demanda na Ásia, onde os chifres desses grandes mamíferos alcançam preços altíssimos no mercado clandestino.
AFP