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Megagarimpo no rio Madeira se dispersa com medo de fiscalização

Segundo relatos obtidos pela reportagem, já não há mais as grandes linhas de balsas no município de Autazes, a 110 km de Manaus em linha reta

Por FolhaPress 26/11/2021 1h08

Fabiano Maisonnave
Manaus, AM

Assustados com a repercussão das imagens de centenas de balsas ilegais concentradas em um trecho do rio Madeira, importante afluente do rio Amazonas, os garimpeiros começaram a se dispersar nas últimas horas para fugir da fiscalização anunciada pelo governo federal.

Segundo relatos obtidos pela reportagem, já não há mais as grandes linhas de balsas no município de Autazes, a 110 km de Manaus em linha reta, registradas no início desta semana. Na manhã da sexta-feira (26), cerca de 30 já estavam diante da cidade vizinha de Nova Olinda do Norte, município vizinho, também banhado pelo rio Madeira.

O garimpo de balsas é ilegal, mas existe há décadas no rio Madeira e emprega principalmente os ribeirinhos da região.

A concentração em Autazes se deveu ao surgimento de uma “fofoca”, quando é encontrada grande quantidade de ouro, provocando uma corrida até o local. Esse tipo de concentração é recorrente na região.

Nesta quinta-feira (25), o vice-presidente Hamilton Mourão anunciou que a Polícia Federal e a Marinha atuariam contra o garimpo. O Ibama também participaria da operação.

Os garimpos e a mineração ilegais na Amazônia ganharam novo impulso desde 2019, estimulados pelas promessas de legalização do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e pela alta no preço do ouro.

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Na Terra Indígena (TI) Yanomami, em Roraima, o aumento na presença de garimpeiros acentuou a grave crise de saúde. No Pará, a utilização de escavadeiras (PCs) tem destruído dezenas de margens de rios e igarapés, além de gerar conflitos e violência. Em ambos os casos, a fiscalização tem sido ineficaz para conter o aumento desse crime.

No rio Madeira, já houve algumas tentativas de regularização no Amazonas, que travam na falta de coordenação entre os governos estadual e federal e na pouca estrutura dos órgãos ambientais para licenciar e fiscalizar.

Em 2017, garimpeiros revoltados com a destruição de balsas que atuavam dentro de unidades de conservação, incendiaram as sedes e os carros do Ibama e do ICMBio em Humaitá, no sul do Amazonas e também às margens do Madeira.

Em janeiro, o governo de Rondônia regulamentou o garimpo no rio Madeira, mediante licença ambiental em várias etapas. Mas na prática poucas balsas e dragas (com mais estrutura e poder destrutivo) operam no rio de forma regular.

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