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Leomon e Alessandro: como 2 paratletas cegos se preparam para Tóquio

Um deles é o brasiliense Leomon Moreno, paratleta de goalball, que já conta com experiência nos Jogos

Alessandro comemora uma de suas medalhas, cenário que espera repetir em Tóquio (Foto: Divulgação/Esporte para todos Taubaté)

Arthur Ribeiro e Thiago Quint (Agência UniCEUB / Jornal de Brasília)

Há cerca de 1 ano, as Olimpíadas e Paralimpíadas de Tóquio 2020 foram adiadas pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) para 2021, em decorrência da pandemia do novo coronavírus. Dessa forma, a decisão impactou diretamente a rotina de atletas e paratletas que já estavam no final do “ciclo olímpico”, caracterizado por envolver uma preparação de até 4 anos para a grande maioria dos esportistas.

Diante disso, as mudanças proporcionadas pelo cenário trouxeram novos desafios para quem tinha em vista a realização dos eventos, em especial os atletas paralímpicos. Dois paratletas cegos, de esportes diferentes, revelaram otimismo para os Jogos.

Leomon em ação pela seleção (Foto: Ale Cabral/CPB)

Um deles é o brasiliense Leomon Moreno, paratleta de goalball, que já conta com experiência nos Jogos, uma vez que possui duas medalhas na bagagem, de prata em Londres 2012 e de bronze em Rio 2016. Embora tenha essa vivência, ele conta que na volta aos treinos com a seleção brasileira, após o período de isolamento, tinha receio da condição técnica da equipe, a qual pensou que seria “uma várzea” por estarem há 11 meses parados, algo que nunca tinha acontecido.

Entretanto, Leomon ressalta que o time conseguiu manter o nível que era apresentado antes de ser decretada a pandemia mesmo com particularidades envolvidas no processo, como atletas cansando mais rápido e se lesionando facilmente.

Nesse sentido, o craque do goalball acredita que o apoio oferecido pelo CPB foi essencial para esse resultado, inclusive no começo de tudo. “Tenho vários elogios a tecer, em especial ao presidente do comitê, Mizael Conrado, que é um cara muito visionário, que enxerga muito lá na frente, consegue ver todos os desencadeamentos que podem ter.

Como exemplo, iria ter uma competição aqui (no CT Paralímpico, em São Paulo), que viriam equipes do continente asiático, onde surgiu o vírus, e ela ocorreria em março de 2020. Antes da competição ser realizada, ele lançou uma nota de cancelamento, disse que o CT seria fechado, e isso antes de qualquer governo falar em isolamento ou lockdown, tudo para que a gente pudesse se manter em segurança”, destacou.

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Confira trecho da entrevista em que Leomon fala sobre os cuidados no CT Paralímpico

O artilheiro também citou a importância do acompanhamento psicológico realizado desde o adiamento da competição. Segundo ele, a psicóloga da seleção fez reuniões virtuais para os jogadores conversarem e falarem como estavam se sentindo dentro de casa, com foco em cuidar da mentalidade de cada atleta. Em meio a isso, Moreno reforçou a união da equipe brasileira de goalball e o apoio técnico mútuo entre os atletas, que, segundo ele, foram fatores essenciais para lidarem com a pressão e seguirem na preparação para Tóquio.

Ao tratar sobre a integração de povos durante as Paralimpíadas, Leomon citou alternativas para a participação do público nas arenas. “O ideal seria ter uma transmissão aberta dos Jogos, não só para o país que está jogando, mas para todo o mundo, justamente por conta dessa situação que estamos passando. Dessa forma, talvez essa medida trouxesse um pouco desses espíritos olímpico e paralímpico que sempre são comentados e que são verídicos, pois sempre que estamos nesse tipo de competição é outro ar, um ambiente de confraternização, vitórias e aprendizado”, concluiu.

Assim como o jogador de goalball, Alessandro da Silva, do lançamento de disco, também abordou com a reportagem da Agência UniCEUB o espírito que envolve os Jogos. Para ele, o sentimento será o mesmo, pois sempre dará seu melhor, em prol de seus treinos, das pessoas que o apoiam e das que acreditam nele, independente da competição ou das circunstâncias. Em Tóquio, o brasileiro irá em busca de sua segunda medalha paralímpica, após ficar no lugar mais alto do pódio na última edição, Rio 2016.

Para a disputa no país do continente asiático, o paratleta diz que esteve de acordo com o adiamento realizado no ano passado, porque, segundo ele, foram as medidas certas na hora certa para que o evento ocorresse no momento apropriado. Agora, há pouco menos de três meses para o início das Paralimpíadas, ele concorda com a realização do torneio, desde que se tenham os devidos cuidados, incluindo desde os atletas até voluntários, trabalhadores e torcedores envolvidos. 

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Apesar das adaptações nos treinamentos, já que não pode ir para a academia e teve que improvisar em casa, Alessandro está confiante para uma boa performance na competição, não apenas dele, mas de todos. “Por conta do andamento das coisas, muitos países não tiveram como desenvolver 100% o seu maior nível técnico, mas ainda assim acredito que será uma ótima paralimpíada, cada um fazendo seu melhor”, finalizou o paratleta do lançamento de disco.

Ambos os esportistas são esperança de medalhas para o Brasil. Leomon e a equipe de goalball vão em busca da inédita medalha de ouro na categoria, enquanto Alessandro pretende repetir o ouro de 2016 na classe F11, para portadores de deficiências visuais.






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