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Economia

Trabalhadores defendem fim da escala 6×1 por mais tempo com família

Propostas no Congresso visam reduzir jornada semanal para 40 ou 36 horas, garantindo dois dias de folga e melhor qualidade de vida.

Redação Jornal de Brasília

01/05/2026 8h24

escala 6x1

Foto: Tânia Rêgo/ Agência Brasil

Trabalhadores que seguem a escala de seis dias de trabalho por um de folga sonham com mais tempo para a família, obrigações domésticas e lazer caso ganhem um dia extra de descanso. O fim da jornada 6×1 tem sido uma das principais bandeiras nas manifestações do 1º de Maio e diversas propostas sobre o tema tramitam no Congresso Nacional.

A balconista de medicamentos Darlen da Silva, de 38 anos, que trabalha em uma farmácia no Rio de Janeiro há 15 anos nessa escala, relata a correria de sua folga semanal. “Tenho duas filhas, então para mim é muito corrida a minha folga. Tenho que fazer tudo dentro de casa, lavar roupa, fazer mercado. Não tenho descanso. Venho trabalhar mais cansada ainda no outro dia”, conta ela. Darlen espera que uma eventual lei respeite o limite de 40 horas semanais, sem aumentar a jornada diária como ocorre em alguns locais que já adotam dois dias de folga.

O garçom Alisson dos Santos, de 33 anos, também do Rio de Janeiro e na escala 6×1 há dez anos, usa sua folga para resolver pendências familiares. “A gente sempre tem que resolver alguma coisa da criança na escola, tem médico, sempre tem alguma coisinha para você fazer. Então, acaba não rendendo o seu dia de descanso”, explica. Com um dia extra, ele planeja organizar a casa em um e passear ou viajar com a família no outro.

Em São Luís, no Maranhão, a cabeleireira Izabelle Nunes, de 26 anos, que trabalha seis dias por semana, apoia a iniciativa mesmo sem acompanhar o debate. “Acho que todos nós trabalhadores temos o direito de ter no mínimo dois dias de folga. Cuidar dos nossos estudos, saúde, lazer, cultura e trabalhando nessa escala a gente só se acaba”, afirma. O dia adicional ajudaria na dinâmica doméstica e familiar.

Embora não trabalhe na escala 6×1, a professora Karine Fernandes, de 36 anos, acompanha o tema pelas redes sociais e o considera importante para a qualidade de vida das famílias. “Como mãe, penso em como isso influencia a vivência de crianças que podem ter mais tempo de qualidade com suas mães e pais”, diz ela.

No Congresso, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), prevê a redução da jornada de 44 para 36 horas semanais, com transição em dez anos. Apensada a ela, a PEC 8/25, da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), propõe uma escala de quatro dias de trabalho por semana, com limite de 36 horas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso um projeto de lei com urgência constitucional para acabar com a escala 6×1 e reduzir a jornada de 44 para 40 horas semanais. O PL deve ser votado em até 45 dias, ou tranca a pauta do plenário da Câmara, com expectativa de avanço nas próximas semanas.

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