A denúncia envolvendo Samir Xaud ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (15). Depois da revelação sobre Camila Cristina Andrade em Nova York, o portal LeoDias apontou que outra acompanhante do presidente da CBF também teria participado de uma viagem internacional com custos ligados à entidade, desta vez para Doha, no Catar, durante a final do Mundial Interclubes entre Flamengo e PSG.
Eu já tinha voltado para casa depois do almoço em Niterói e ainda tentava processar o roteiro do doutor-cartola-galã, quando apareceu mais uma aba desse prontuário sentimental. Sentei no sofá com o celular na mão e pensei: meu amor, não era um caso isolado, era uma excursão com carimbo no passaporte.

Segundo a reportagem, a influenciadora digital e farmacêutica Tamires Fernandes Barcellos, conhecida como Tata Barcellos, embarcou do Rio de Janeiro para Doha em dezembro do ano passado, em voo de classe executiva da Emirates, para acompanhar a final entre Flamengo e PSG. Ela teria ficado hospedada no The Ritz-Carlton Doha entre os dias 15 e 19 de dezembro.
A reserva, de acordo com os documentos citados, foi feita em nome de Tamires, mas a cobrança da hospedagem teria sido direcionada à CBF. O valor total da estadia chegou a R$ 17.424. Além da acomodação de alto padrão, Tata teria circulado pela área VIP da decisão do torneio, ao lado de familiares e companheiras de jogadores do Flamengo.
O caso ganha força porque repete um roteiro parecido ao apontado na viagem de Camila Cristina Andrade para Nova York: transporte internacional, hospedagem de luxo e acesso a áreas exclusivas em eventos acompanhados pela cúpula da confederação. A diferença é que, agora, a história deixa de parecer uma exceção e começa a desenhar um padrão.
Ainda segundo a reportagem, a situação não teria acontecido apenas em Doha e Nova York. Ao longo de um ano, Samir Xaud também teria levado amigos, familiares e mulheres para eventos esportivos internacionais usando recursos da CBF. Entre as viagens citadas estão compromissos da Copa da Ásia e outros eventos ligados ao calendário esportivo.
Os gastos acumulados com esse tipo de deslocamento, hospedagem e acesso especial teriam alcançado aproximadamente R$ 1 milhão. O valor passou a chamar atenção justamente pela repetição de acompanhantes sem função conhecida nas atividades oficiais da entidade.

Agora, a pergunta deixou de ser apenas quem estava em qual hotel. A questão virou outra: qual era o critério da CBF para pagar ou vincular despesas de pessoas que não tinham papel claro na agenda institucional? Porque uma coisa é dirigente viajar para representar a entidade. Outra é a confederação virar agência de turismo premium para acompanhante de cartola.
Se a primeira denúncia já tinha colocado Samir Xaud na marca do pênalti, essa segunda empurra o presidente da CBF para dentro do VAR. Não estamos mais falando só de esposa no México e suposta amante em Nova York. Agora tem Doha, Emirates, The Ritz-Carlton, área VIP e uma conta que, segundo a reportagem, teria batido na porta da entidade. Haja passaporte para tanta explicação.