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Economia

Mercado de caminhões novos mantém trajetória de queda e frustra expectativas do setor

A indústria deixou de lado o tom otimista que compartilhava com os concessionários no começo do ano

Redação Jornal de Brasília

07/07/2026 7h11

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

BRUNO DE OLIVEIRA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O mercado de caminhões encerrou o primeiro semestre como começou: em queda. Nos seis meses do ano foram emplacadas 48.030 unidades no Brasil, 9,4% a menos do que no mesmo período de 2025. Os dados são do Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores), divulgados pela Fenabrave (associação dos distribuidores nacionais) na primeira semana de julho.

Não bastasse o volume negativo no período, o panorama para o ano também é de vendas menores na comparação com as realizadas no ano passado. A indústria deixou de lado o tom otimista que compartilhava com os concessionários no começo do ano, quando o programa federal de incentivos fiscais Move Brasil foi apresentado.

Se as projeções feitas pela Fenabrave em janeiro indicavam um mercado de caminhões zero-quilômetro 3,5% maior do que em 2025, a revisão feita agora indica queda de 7,8% na comercialização. O novo cálculo é baseado no cenário de crédito restrito e no avanço estimado do PIB (Produto Interno Bruto).

“O Move Brasil com certeza ajuda, mas não resolve”, disse o presidente da Fenabrave, Arcelio Jr., na quinta-feira (2). Para a entidade, o programa federal, de certa forma, ajuda a diminuir as perdas em um cenário onde o transportador ainda enfrenta entraves para renovar a frota. Além do crédito, os preços do diesel, do frete e das commodities influenciam na decisão de compra de um veículo zero-quilômetro.

A queda nos emplacamentos de caminhões reverbera em outros setores, como é o caso de implementos rodoviários. Segundo balanço da Anfir, a associação dos produtores locais desses equipamentos de carga, as vendas no setor somaram 66,7 mil unidades no primeiro semestre. O resultado representa retração de 7,5% na comparação com o mesmo período de 2025.

Na lista dos caminhões mais vendidos no primeiro semestre figuram o líder Volkswagen 11.180, com 2.976 unidades licenciadas no período; o pesado Volvo FH 540, com 2.569 unidades; o médio Mercedes-Benz Accelo 1117 (1.811 unidades licenciadas); o semipesado Volvo VM 290 (1.657 unidades) e o semipesado Volkswagen Constellation 26.260 (1.619 unidades vendidas).

Há, contudo, uma boa notícia. O mercado de caminhões reagiu em junho, mês em que foram licenciadas 9.419 unidades —volume 13,5% superior às 8.299 registradas no mesmo mês do ano passado. Em relação a maio, quando 8.200 veículos foram vendidos, o avanço foi de 14,9%.

Na segunda etapa do programa Move Brasil, conduzida pelo BNDES, foram disponibilizados R$ 21,2 bilhões destinados ao financiamento da renovação da frota de caminhões, ônibus, microônibus e implementos rodoviários produzidos no país.

Os dados do banco indicam que, até junho, R$ 10 bilhões já haviam sido aprovados, sendo R$ 3,1 bilhões contratados em operações distribuídas por 1.373 municípios, o que corresponde a 47,2% do total disponibilizado.

Os recursos usados pelos frotistas que acessaram o programa federal foram destinados em sua maioria à compra de veículos posicionados nos segmentos mais afetados pela crise que envolve o setor. Do montante utilizado até junho, 58% foram direcionados à renovação de caminhões pesados, 25% aos semipesados, 12% aos médios e 5% aos leves.

Do total de R$ 10 bilhões já aprovados ou comprometidos nesta fase do programa, 84% foram destinados à compra de caminhões e implementos rodoviários, enquanto os 16% restantes financiaram ônibus.

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