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Ibovespa sobe 1,22%, a 108,2 mil pontos, e passa ao positivo no mês

A excepcionalidade da situação americana quando comparada a um quadro mais próximo ao que se conhece de Brasil

Foto: Reprodução

O Ibovespa levou a recuperação um pouco mais além, tendo chegado a contar à tarde com alguma melhora de humor em Nova York, esfriada ao fim para Dow Jones (+0,08%) e S&P 500 (-0,39%), que chegaram a ensaiar descolamento do Nasdaq, ao final mergulhado em queda de 1,20%. Com bom impulso das ações de commodities (Vale ON +2,99%, Petrobras ON +2,81%), favorecidas por Brent a US$ 114 por barril e minério em alta de 2,19% em Cingapura, bem como das ações de bancos (Unit do Santander +2,57%, Bradesco ON +2,17%), a referência da B3 subiu 1,22%, a 108.232,74 pontos, entre mínima de 106.851,58 e máxima de 108 794,91, saindo de abertura aos 106.924,87. O giro foi de R$ 28,9 bilhões na sessão.

O quarto ganho consecutivo – melhor sequência desde as oito altas seguidas, entre 16 e 25 de março -, cada um dos quais superior a 1%, tirou nesta segunda-feira o Ibovespa do vermelho no mês: em maio, sobe agora 0,33%, colocando os ganhos do ano a 3,25%. No intradia, passa a mirar marca vista em 29 de abril, a última sessão do mês passado, quando chegou a 111.819,21 mas fechou a 107.876,16. No encerramento, a marca de desta segunda-feira foi a melhor desde 4 de maio, então aos 108.343,74 pontos.

Na ponta do Ibovespa, destaque nesta segunda-feira para Méliuz (+6,25%), SLC Agrícola (+5,42%) e Eztec (+5,22%). No lado oposto, Locaweb (-3,11%), Embraer (-3,03%) e Hapvida (-2,24%).

Declarações do presidente da República, Jair Bolsonaro, acenando para a possibilidade de mais mudanças na Petrobras, contribuíram para limitar os ganhos na ação preferencial (PN) da estatal, em ajuste que se estendeu ao pós-mercado (after market). “Tem mais coisa pra acontecer na questão da Petrobras. Já sabem o que está acontecendo. Não vou entrar em detalhes, está (sic) sempre fazendo alguma coisa para buscar alternativa”, declarou o chefe do Executivo a apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada.

No quadro mais amplo, “o enfraquecimento da atividade na China ainda é um fator de preocupação para o Brasil, pelo efeito sobre as commodities. Assim, a recuperação de preços vista nas matérias-primas hoje foi determinante para o desempenho do Ibovespa na sessão, superior ao das referências em Nova York”, diz o professor Rodrigo Simôes, da FAC-SP, especialista em finanças e economia. Nesta segunda, dados de produção industrial na China, em queda de 2,9% em abril, e retração de 11% para as vendas do varejo, ambos bem piores do que o antecipado, reverberaram. Como em maio espera-se recuperação de atividade após o que pode ter sido o pior momento da retomada de lockdown na China, tais dados foram vistos, em parte, como retrovisores, ante relativa melhora do quadro da covid no país.

Por outro lado, “os preços do petróleo ajudaram empresas brasileiras ligadas à commodity, em meio a expectativas de redução de produção por parte de países da Opep. Com menor produção, e guerra na Ucrânia ainda vigente, os preços da commodity ficam ainda mais pressionados – empurrando a inflação por aqui e no mundo, do outro lado da moeda da alta de produtos básicos”, observa Rachel de Sá, chefe de economia da Rico Investimentos.

A situação da inflação no Brasil e nos Estados Unidos, e o diferente estágio no ajuste das respectivas políticas monetárias, pode estar entre os motivos do relativo descolamento dos dois mercados de ações, observado em certos momentos das últimas sessões, de recuperação mais consistente por aqui do que lá fora – considerando também os diferentes níveis de precificação dos ativos. Em maio, os três índices de Nova York ainda acumulam perdas entre 2,29% (Dow Jones) e 5,45% (Nasdaq), enquanto, na Europa, Londres cede 1,06% e Paris, 2,85%. Na Ásia, Hong Kong perde 5,40% no mês.

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“Tanto Brasil quanto os EUA tiveram expressiva elevação da inflação esperada para os próximos cinco anos a partir da primeira onda do Covid-19, no início de 2020. O interessante é que o atual choque monetário, aliado aos problemas de oferta (reflexos do Covid-19 nas cadeias de suprimento global + conflito na Ucrânia), levou a expectativa de inflação americana a quase três desvios-padrão acima da média histórica. No Brasil, país que historicamente tem vivido com inflação mais alta, estamos a ‘apenas’ um desvio-padrão acima da média histórica”, aponta em relatório a Âmago Capital, destacando que, nos Estados Unidos, o “ciclo de alta da taxa de juros de curto prazo mal começou”.

A excepcionalidade da situação americana quando comparada a um quadro mais próximo ao que se conhece de Brasil, além do grau de ajuste da Selic já executado desde o começo de 2021 pelo Copom, ajuda a entender a inquietação que paira em torno do eventual grau de ajuste na política monetária da maior economia do mundo, mesmo com os recentes sinais tranquilizadores que o próprio presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, buscou emitir.

Estadão Conteúdo

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