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Economia

Governo vai adiar retirada do subsídio da gasolina, diz ministro

A deterioração da situação no Oriente Médio levará o governo a adotar cautela, segundo o ministro

Redação Jornal de Brasília

09/07/2026 11h48

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Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

MARCOS HERMANSON
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

Os novos ataques dos EUA ao Irã e o possível bloqueio do estreito de Hormuz, por onde passa grande parte do combustível mundial, devem levar o governo federal a adiar o fim do subsídio à gasolina anunciado na semana passada, afirmou nesta quinta-feira (9) o ministro Dario Durigan.

A deterioração da situação no Oriente Médio levará o governo a adotar cautela, segundo o ministro.

Por isso, a retirada do subsídio à gasolina será reavaliada na semana que vem. Segundo integrantes da equipe econômica, o imposto de exportação sobre o petróleo, hoje em 12%, será mantido.

“Ontem o petróleo voltou a subir para US$ 80 e aí temos que adotar com cautela a retirada de subsídio”, afirmou Durigan à Rádio Gaúcha. “Esta semana eu iria anunciar a retirada da gasolina, [mas] vou analisar a retirada na próxima semana, porque o preço da gasolina já está com um impacto diferente [do] que eu estava prevendo.”

Nesta quarta-feira (8), os Estados Unidos atacaram mais de 90 alvos militares no Irã, enterrando o frágil cessar-fogo que pactuado entre as duas nações. Os americanos acusam o Irã de ter atacado pelo menos três navios comerciais que transitavam pelo estreito nesta terça-feira (7).

A retomada dos ataques pode levar a novo bloqueio do estreito de Hormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, elevando outra vez o preço do barril, que nesta quinta-feira (9) abriu com alta de 2%.

Em março, o governo anunciou um pacote de subvenções ao diesel como resposta à elevação dos preços causada pela Guerra no Irã e à ameaça de uma greve dos caminhoneiros no Brasil. O pacote incluía a eliminação do PIS/Cofins e o subsídio de R$ 0,32 por litro para produtores e importadores. Um imposto de exportação sobre o óleo cru deveria bancar as medidas.

Em maio, o Executivo anunciou uma nova subvenção, desta vez de R$ 0,89 por litro de gasolina nacional ou importada, paga com recursos da União.

Na última quinta-feira (2), com o cessar-fogo entre EUA e Irã em vigor, o ministro da Fazenda Dario Durigan anunciou que o governo começaria a retirar o subsídio da gasolina. Antes, na terça-feira (30), a gestão federal já havia retirado uma parte do subsídio ao diesel –o equivalente a R$ 0,35 por litro.

“Ao mesmo tempo que a gente teve prontidão para fazer medidas, temos que ter prontidão para retomar a situação anterior”, afirmou o ministro nesta quinta. Ele ressaltou que a isenção do ICMS do diesel pactuada com os estados já foi encerrada, assim como uma parte da subvenção ao diesel.

DÍVIDAS RURAIS

O governo pretende editar uma medida provisória nos próximos dias sobre renegociações de dívidas rurais, após finalizar negociações com parlamentares, com possibilidade de juros anuais de até 12% e prazo de pagamento de até 10 anos, disse nesta quinta-feira o ministro da Fazenda, Dario Durigan.

Durigan afirmou que o texto, um “meio termo” entre a intenção inicial do governo e o pedido de parlamentares, deve gerar um impacto adicional ao Tesouro Nacional de R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões por ano, além do custo já existente com subsídios implícitos das linhas de crédito.

De acordo com o ministro, as taxas de juros podem ficar em 6% ao ano para pequenos produtores, 9% para os médios e 11% ou 12% para os grandes. Em relação aos prazos, a regra geral deve ser de 8 anos, com um período alongado para 10 anos nos casos de perdas climáticas mais graves, afirmou o ministro.

A renegociação terá limite de R$ 8 milhões por CPF para agricultores afetados por mudanças climáticas e de R$ 4 milhões para os que sofreram com variação de preços dos produtos.

MISTURA DO ETANOL NA GASOLINA

O ministro também afirmou que o aumento de 30% para 32% da mistura de etanol na gasolina anunciado pelo presidente Lula será uma realidade nos próximos dias.

A reunião do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) que definiria o aumento nesta quarta-feira (8) foi adiada em razão da guerra, disse Durigan. “Como a gente estava com uma mudança nos preços durante o início da reunião, a gente vai aguardar para ver se tem alguma outra medida necessária no CNPE”, afirmou. “Isso não afeta a decisão dos 32%”.

O ministro sinalizou que o governo também quer efetivar o aumento do biodiesel no diesel ainda este ano, mas não ofereceu uma data para a implementação das novas misturas.

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