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Economia

Especialistas veem risco econômico em classificar facções como terroristas

Medida dos Estados Unidos pode afetar turismo, investimentos e exportações brasileiras, segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil.

Redação Jornal de Brasília

29/05/2026 17h24

Foto: Alan Santos/PR

Foto: Alan Santos/PR

A classificação, pelos Estados Unidos, de facções do crime organizado brasileiro como terroristas pode trazer prejuízos à economia do país, com impactos sobre turismo, investimentos e comércio exterior. A avaliação é de especialistas em geopolítica, relações internacionais e economia ouvidos pela Agência Brasil.

O cientista político e especialista em relações internacionais Francisco Carlos Teixeira da Silva afirmou que empresas estrangeiras já costumam buscar informações sobre os níveis de segurança no Brasil. Segundo ele, uma eventual definição do país como abrigo de terrorismo internacional afetaria bancos, indústrias e a atração de investimentos, com reflexos em empregos e transferência de tecnologia.

Teixeira também avaliou que as exportações brasileiras podem ser submetidas a maior escrutínio por parte dos Estados Unidos e de aliados europeus que aceitem a classificação adotada por Washington. Na visão dele, isso poderia afetar de forma prolongada os embarques do país. Ele acrescentou que o turismo seria atingido de imediato, inclusive o turismo de negócios em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro.

O professor de economia internacional da UFRJ Luiz Carlos Prado disse que é difícil mensurar o impacto da medida, mas apontou a possibilidade de uso político da classificação para prejudicar empresas brasileiras. Para ele, a decisão pode ampliar o risco de que companhias no país sejam alvo de questionamentos sob alegações de envolvimento com terrorismo, reduzindo a margem de manobra do Estado e das empresas e aumentando a instabilidade política.

O governo brasileiro já indicou ver a eventual classificação das facções como organizações terroristas como possível pretexto para intervenção externa, com consequências econômicas sobre o sistema financeiro. Em comunicado citado na reportagem, o governo afirma que a medida pode afetar inovações nacionais como o Pix, que, segundo o texto, incomodam interesses estrangeiros. Os Estados Unidos investigam o Pix por suposta concorrência desleal.

Os especialistas ouvidos também destacam que terrorismo internacional e crime organizado têm motivações distintas. Segundo Luiz Carlos Prado, organizações criminosas buscam lucro, enquanto o terrorismo persegue objetivos políticos e ideológicos. Francisco Carlos Teixeira da Silva afirmou ainda que o combate ao crime organizado não seria beneficiado pela medida e defendeu, em vez disso, ações contra paraísos fiscais usados para lavagem de dinheiro.

Com infomrações da Agência Brasil

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