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Economia

Entidades do Brasil e EUA propõem acordo para evitar novo tarifaço de Trump

A carta propõe que Brasil e Estados Unidos iniciem uma negociação em duas etapas.

Redação Jornal de Brasília

09/07/2026 23h26

cni

Foto: CNI/Divulgação

ISABELLA MENON
WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS)

A Amcham Brasil, a CNI (Confederação Nacional de Indústrias) e a U.S. Chamber of Commerce, entidades empresariais do Brasil e dos Estados Unidos, enviaram nesta quinta-feira (9) uma carta aos governos dos dois países em que pedem a construção de um acordo de curto prazo para evitar a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros, às vésperas da conclusão da investigação comercial conduzida pelos EUA contra o Brasil sob a Seção 301.


O USTR (Escritório de Comércio dos EUA) já sinalizou um novo tarifaço de 25%. O órgão tem até o dia 15 de julho para publicar a decisão -a compreensão dos setores é que se os países tentarem um acordo até a data-limite ainda é possível reverter o tarifaço, depois fica muito difícil.


O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que tem conversado com brasileiros sobre a investigação, mas sinalizou um cenário pessimista. “Ainda há uma grande distância entre nós, então vocês verão uma decisão final muito em breve sobre o Brasil”, diz.

Empresas como Coca-Cola, Nestlé, Tesla, Faber-Castell, eBay e Siemens figuram na lista de companhias que enviaram comentários ao USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) pedindo que os Estados Unidos não implementem a tarifa.


No documento encaminhado nesta quinta, entidades defendem que uma solução negociada seria a forma mais eficaz de preservar a competitividade e evitar prejuízos para empresas, trabalhadores e consumidores brasileiros e americanos.


A carta propõe que Brasil e Estados Unidos iniciem uma negociação em duas etapas. A primeira seria voltada para temas considerados mais urgentes, enquanto uma segunda fase ampliaria a cooperação econômica bilateral em áreas estratégicas.


Entre as prioridades imediatas sugeridas estão a ampliação do acesso a mercados para produtos ligados à segurança energética, data centers e infraestrutura de inteligência artificial; maior cooperação regulatória em setores como automóveis e equipamentos médicos; aceleração da análise de patentes no Brasil e reforço ao combate à pirataria; além de uma parceria em minerais críticos, com investimentos em pesquisa, processamento e desenvolvimento de cadeias de fornecimento consideradas estratégicas.


A carta também defende a prorrogação da moratória da OMC (Organização Mundial do Comércio), que impede a cobrança de tarifas sobre transmissões eletrônicas, e a implementação integral do Protocolo Anticorrupção do ATEC, acordo de comércio e cooperação econômica entre Brasil e Estados Unidos.


Em uma segunda etapa, as entidades sugerem ampliar a agenda bilateral para incluir temas como economia digital, comércio eletrônico, segurança energética, inovação, cadeias produtivas, descarbonização industrial, agricultura e facilitação do comércio.


“Às vésperas do prazo final da investigação, é essencial um esforço concentrado dos governos do Brasil e dos Estados Unidos para viabilizar um acordo que evite a aplicação das tarifas e abra espaço para uma agenda mais ampla de fortalecimento da relação econômica bilateral”, afirmou o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, em nota.


PESSIMISMO NO RESULTADO


Nesta semana, aconteceram audiências em Washington em que o setor privado e políticos, como o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pediram para que o governo dos EUA não apliquem as novas taxas contra o Brasil. O governo federal não esteve presente e afirma compreender que as audiências são voltadas para o setor privado e mantém as negociações com os EUA.


Entre os setores que estiveram presentes, houve pedidos para que seus setores sejam excluídos da taxação. Em geral, o clima entre aqueles que estiveram presentes não é de esperança. A expectativa de empresários é que o tarifaço aconteça, o máximo que alguns apostam é que aumente a ampla lista de exceções.


Enquanto representantes dos setores afetados pediram, em sua maioria, para que não sejam tarifados, Flávio levou a discussão para o campo político e sugeriu que se o Brasil for tarifado isso pode favorecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).


Bruna Santos, diretora do Brazil Institute, que acompanha as negociações entre Brasil e EUA, compartilha desta expectativa. Ela cita ainda a outra investigação do USTR, que deve ser definida no dia 24 de julho, sobre trabalho forçado -que inclui 60 nações, inclusive o Brasil- e já prevê outra tarifa de 12,5%.


“Não tenho expectativa de suspensão das tarifas de 12,5%, apenas de algumas isenções e recalibragem de algumas tarifas que fiquem muito altas somando os 25% da investigação do Brasil aos 12% da investigação de trabalho forçado.”


Santos destaca que “mesmo grandes empresas americanas, com recursos, presença institucional e capacidade de articulação, estão sendo empurradas a uma atuação defensiva, fragmentada e reativa”. “Em vez de uma estratégia coordenada, o que se vê é uma lógica de balcão: cada setor tentando garantir sua exceção, seu acesso e sua proteção.”

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