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Economia

Economistas projetam desaceleração gradual da economia brasileira em 2026

Projeções para 2026 apontam crescimento mais moderado do PIB, enquanto Banco Central deve manter cautela com a inflação

Redação Jornal de Brasília

29/05/2026 16h32

economia do brasil

Foto: Freepik

EDUARDO CUCOLO E LEONARDO VIECELI
FOLHAPRESS

Após um resultado no primeiro trimestre ligeiramente acima do esperado, muitos economistas esperam uma desaceleração gradual da economia ao longo do ano de 2026, devido à política monetária restritiva e a possíveis choques externos, como a alta no preço do petróleo.

O cenário gera cautela para o Banco Central, que deve manter taxas de juros elevadas para controlar riscos inflacionários e o impacto dos gastos públicos no ano eleitoral.

Segundo o economista-chefe do Sicredi, André Nunes de Nunes, o PIB (Produto Interno Bruto) deve desacelerar a 0,6% no segundo trimestre. A perda de ritmo é aguardada com o fim do impulso da safra agrícola e a persistência dos juros em patamar elevado ao longo de 2026.

O endividamento das famílias e as incertezas eleitorais também são apontadas por Nunes como desafios para consumo e investimentos no restante do ano. “Vamos ter uma dinâmica muito parecida com a do ano passado. Vai ter um primeiro trimestre com crescimento mais forte”, diz.

A projeção do Sicredi para o PIB acumulado de 2026 está em 1,9%, com viés de alta para a casa de 2% após a divulgação dos dados desta sexta. “Não é recessão. Não é um dado ruim”, afirma Nunes.

O economista-chefe da gestora Integral Group, Daniel Miraglia, projeta crescimento de até 0,7% no segundo trimestre. Ele destaca que esse cenário é otimista, embora possa ser afetado pelos impactos de uma nova disparada no preço do petróleo, como inflação mais alta e interrupção no processo de queda da taxa básica de juros.

Para o fechamento de 2026, Miraglia projeta um crescimento de 1,5%. “O risco maior é de piora do cenário e não de melhora, dado que não acreditamos em um acordo sustentável entre Estados Unidos e Irã.”

O FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas) trabalha com uma projeção de alta de 1,7% para o acumulado deste ano.

A desaceleração ao longo de 2026 já era esperada, e a guerra no Irã tornou essa perspectiva ainda evidente, afirma a economista Juliana Trece, coordenadora do núcleo de contas nacionais do FGV Ibre.

Segundo ela, a pressão inflacionária provocada pelo conflito pode deixar o Banco Central mais cauteloso na condução da política de juros. “A gente deve ter os [próximos] trimestres com resultados próximos a zero, mas não negativos”, afirma.

A Fiesp (federação das indústrias paulistas) diz que a atividade econômica deve seguir resiliente no curto prazo, mas prevê desaceleração nos próximos trimestres devido à política monetária contracionista, aos custos elevados e à incerteza global. A expectativa da entidade é de crescimento de 1,9%, tanto para o PIB como para o setor industrial, em 2026.

José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos, projeta crescimento de 0,5% nos três trimestres seguintes, resultando em uma taxa de 2% em 2026. Para ele, os programas de estímulo econômico lançados pelo governo neste início de ano, como reação à desaceleração do último trimestre de 2025, podem gerar preocupação para o BC, que deverá manter cautela na política monetária.

Claudia Moreno, economista do C6 Bank, afirma que a comparação com o primeiro trimestre de 2025 sugere que a atividade vem perdendo força de forma gradual. O crescimento acumulado em 12 meses passou de 3,6% para 2% no período. A projeção da instituição é de que o PIB cresça 1,7% em 2026 e 2027.

“Os juros elevados continuam limitando os setores mais dependentes de crédito, mas a força do mercado de trabalho e as medidas de estímulo promovidas pelo governo, como os incentivos à concessão de crédito, têm ajudado a sustentar a economia.”

O economista-chefe do banco BV, Roberto Padovani, afirma que o resultado do trimestre mostra uma economia ainda resistente a choques -o crescimento desde 2022 tem sido acima da média dos últimos 40 anos. Para ele, essa é uma boa notícia que traz uma preocupação.

“Uma das histórias por trás dessa retomada são os estímulos fiscais e parafiscais, o que atua contra o mandato legal do BC. Portanto, tudo sugere juros mais elevados por mais tempo. A má notícia é que é um crescimento que talvez não seja sustentável.”

Enquanto medidas de estímulo à demanda sustentam a atividade no curto prazo, a taxa básica de juros (Selic) em 14,5% ao ano “prolonga” o elevado custo do crédito e “penaliza” diretamente o setor produtivo, aponta a Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro).

“Esse ambiente ajuda a explicar a baixa taxa de investimento do Brasil, atualmente em 16,5% do PIB -abaixo da média da América Latina (19,4%), da média mundial (25,9%) e muito distante das economias emergentes asiáticas (37,3%), que utilizam o investimento robusto como motor de produtividade e avanço tecnológico”, acrescentou.

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