FOLHAPRESS
O dólar está em queda nesta sexta-feira (3), dia de baixa liquidez por conta de feriado antecipado nos Estados Unidos.
Os investidores seguem repercutindo dados sobre o mercado de trabalho norte-americano, divulgados na véspera, que apresentou uma criação de vagas menor do que o esperado e levou a ajustes nas apostas sobre os juros do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA).
Às 11h25, a moeda caía 0,65%, cotada a R$ 5,173, seguindo a tendência global. Já a Bolsa avançava 0,7%, a 174.001 pontos.
Foram abertos 57 mil postos de trabalho nos Estados Unidos em junho, abaixo dos 110 mil projetados. Mesmo com o resultado pior do que o esperado, a taxa de desemprego recuou de 4,3% para 4,2%, contrariando as previsões de estabilidade.
A desaceleração provavelmente foi causada por fatores sazonais, afirma Matthew Ryan, chefe de estratégia de mercado global da Ebury, e não por uma fraqueza estrutural da economia.
Os números esfriaram as especulações de alta de juros pelo Fed no curto prazo. Com o mercado de trabalho relativamente equilibrado, o consumo das famílias tende a ficar estável, reduzindo pressões inflacionárias. Ao considerar o arrefecimento das tensões no Oriente Médio e a consequente normalização dos mercados de energia, o cenário abre a porta para uma possível desaceleração dos preços aos consumidores americanos.
“É improvável que o dado convença os membros do Fed de que um aperto imediato da política monetária seja necessário”, diz Ryan.
Mais da metade dos operadores (64%) agora prevê que os juros irão subir em outubro; antes, as apostas majoritárias estavam concentradas no encontro de setembro.
Aos dados se somam as recentes declarações de Kevin Warsh, novo presidente do Fed. No fórum anual de política monetária do BCE (Banco Central Europeu) em Sintra, Portugal, ele reafirmou que a autoridade monetária será combativa à alta de preços.
“Se houver pessoas entre as famílias, no setor empresarial ou nos mercados financeiros que pensaram que este banco central ficaria à vontade com uma meta de inflação acima de 2% bem, acho que ficarão decepcionadas: vamos garantir a estabilidade de preços nos EUA”, disse ele na quarta-feira (1°).
Warsh tem evitado sinalizar os próximos passos do banco central, deixando os investidores no escuro. Por outro lado, o reforço ao combate à inflação tem sido lido como um indicativo de uma postura mais dura por parte do Fed nos próximos meses. O índice PCE, referência favorita do banco central para inflação, subiu 4,1% nos 12 meses até maio, mais de 2 pontos percentuais acima da meta.
O Fed trabalha com um mandato duplo: o objetivo é calibrar a política monetária para garantir o máximo emprego e a inflação em torno de 2% ao ano.
“O mercado não deixou de precificar uma nova alta de juros, mas passou a enxergar menos urgência para que o Federal Reserve promova esse ajuste no curto prazo, adiando as expectativas para os próximos meses”, diz Leonel Mattos, analista de inteligência de mercado da StoneX.
O cenário levou a uma desvalorização acentuada do dólar globalmente na véspera. Sem a previsão de aumento imediato de juros, os rendimentos das treasuries, títulos de renda fixa dos EUA, caíram, puxando a moeda norte-americana para baixo e incentivando a procura por ativos de risco.
No Brasil, porém, o mercado amornou sem que houvesse algum gatilho específico, segundo operadores.
O dólar fechou em variação negativa de 0,03% na véspera, cotado a R$ 5,207, e os juros futuros dispararam.
“O mercado vem tentando digerir uma série de eventos, como a reprecificação das expectativas para a Selic, a perspectiva de juros mais altos nos Estados Unidos, o noticiário com impacto sobre a inflação, o risco de aprovação de pautas-bomba no Congresso, o noticiário eleitoral, entre outros fatores”, diz Luis Felipe Vital, estrategista-chefe de macro e dívida pública da Warren Investimentos.
“Em dias como esse, mesmo sem um gatilho específico, observa-se uma piora no tom dos mercados.”
A corrida eleitoral, conforme operador ouvido pela Reuters, ajudou a piorar a percepção sobre ativos brasileiros. Nos últimos dias, o noticiário revelou o fortalecimento do presidente Lula (PT) na disputa com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelo Planalto, além dos atritos entre o parlamentar e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Nesta sessão, o feriado antecipado de 4 de Julho nos Estados Unidos mantém os mercados americanos fechados e reduz significativamente a liquidez das negociações.
“Esse ambiente torna o comportamento do câmbio mais difícil de antecipar. Em dias de baixa liquidez, é comum observar sessões de pouca volatilidade e movimentação lateral. No entanto, a ausência dos operadores americanos também pode aumentar a sensibilidade do mercado, fazendo com que operações de maior volume provoquem oscilações mais intensas do que o habitual”, afirma Mattos, da StoneX.
Dólar recua e Bolsa avança em dia de baixa liquidez por conta de feriado antecipado nos EUA
Às 11h25, a moeda caía 0,65%, cotada a R$ 5,173, seguindo a tendência global. Já a Bolsa avançava 0,7%, a 174.001 pontos
Foto: Dmytro Varavin/ Getty Images