ATUALIZADA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
O dólar está em leve alta nesta terça-feira (7), em linha com o movimento no exterior, com investidores atentos às tensões no Oriente Médio.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irã caso o país não aceite as condições para o acordo de paz. Teerã, por sua vez, afirmou que não haverá mais negociações até Trump parar com as ameaças.
Preocupações sobre o setor global de tecnologia e discussões nos EUA sobre tarifas a produtos brasileiros também estão no radar.
Às 11h25, o dólar subia 0,3%, cotado a R$ 5,148. Já a Bolsa recuava 0,47%, a 171.633 pontos.
Trump afirmou na segunda-feira que os Estados Unidos chegarão a um acordo com o Irã ou “terminarão o serviço”. A nova ameaça militar a Teerã acontece em meio aos cortejos fúnebres de Ali Khamenei, ex-líder supremo morto no início do conflito no Oriente Médio.
“Ou vamos chegar a um acordo ou vamos terminar o serviço. E não será difícil terminar o serviço. Prefiro chegar a um acordo, porque não quero afetar 91 milhões de pessoas”, disse Trump a repórteres no Salão Oval.
“Podemos derrubar as pontes deles em uma hora, podemos cortar o abastecimento de energia deles… Eles não têm dinheiro agora. Não lhes demos nenhum dinheiro.”
As negociações entre os dois países terminaram na semana passada sem qualquer sinal público de avanço. O cessar-fogo de 60 dias, apesar disso, segue em vigor, abrindo espaço para a diplomacia após os ataques que desencadearam o conflito.
O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohammad Baqer Zolqadr, chamou a ameaça de Trump de “delirante”.
“Os iranianos não estão acostumados com a linguagem das ameaças. Portanto, fale com o povo iraniano com respeito; caso contrário, responderemos em outra linguagem”, disse Zolqadr em declarações divulgadas pela mídia estatal.
Ainda, dois navios foram atingidos no estreito de Hormuz na madrugada desta terça, sem que a autoria dos ataques tenha sido reivindicada até esta manhã. Em meio às tensões, o preço do barril de petróleo Brent voltou a subir para US$ 73,84, alta de 2,5% em relação ao fechamento da véspera. O WTI (West Texas Intermediate) avançava 2,4%, a US$ 70,22.
As ações das petroleiras na Bolsa brasileira acompanhavam a commodity. Os papéis preferenciais e ordinários da Petrobras avançavam 1,8% e 2,2%, enquanto Prio e Petrorecôncavo subiam 2,24% e 1%, respectivamente.
A aversão ao risco se intensifica ao considerar as pressões sobre o setor global de tecnologia.
Investidores questionam o ímpeto da alta impulsionada pela inteligência artificial apesar dos resultados sólidos da Samsung, enquanto uma notícia de que a chinesa DeepSeek está desenvolvendo seu próprio chip de IA também afeta o sentimento geral em Wall Street.
A companhia sul-coreana divulgou que as receitas cresceram 70% em relação ao ano passado e que o lucro saltou 1.800% na mesma comparação. “Ainda assim, os investidores parecem preocupados com o volume de investimentos, possivelmente excessivo, nas tecnologias relacionadas à inteligência artificial”, diz Leonel Mattos, analista de inteligência de mercado da StoneX.
Ele afirma que os investidores seguem otimistas com as possibilidades de as novas tecnologias gerarem ganhos de produtividade e impulsionarem o crescimento econômico mundial. “Mas esse crescimento foi tão explosivo, tão rápido e tão intenso que, em alguns momentos, surgem preocupações com a possibilidade de uma bolha”, diz ele.
A principal preocupação é que os investimentos na capacidade produtiva dessas tecnologias de inteligência artificial estejam crescendo a um ritmo maior do que a demanda. Se o mercado não conseguir absorver tudo que tem sido produzido, existe o risco de que os aportes não sejam rentáveis em outras palavras, que as empresas enfrentem prejuízos por excesso de investimento.
Ainda, segundo três fontes com conhecimento do assunto, a startup chinesa DeepSeek está desenvolvendo seu próprio chip de IA, uma iniciativa que pode reduzir sua dependência dos produtos da Nvdia e da Huawei.
“De tempos em tempos, vemos os mercados financeiros globais e os investidores se mostrarem mais preocupados com a possibilidade de dificuldades futuras de rentabilidade. Esse pessimismo acaba pressionando as ações de tecnologia e piorando o apetite global por risco”, diz Mattos.
No Brasil, parte das atenções ainda está voltada às discussões nos EUA sobre a tarifação de produtos brasileiros. O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deve falar em uma audiência sobre o tema em Washington nesta terça.
Flávio busca persuadir o governo Trump a adiar uma tarifa comercial de 25% sobre os produtos brasileiros para até depois das eleições de outubro. Em junho, pouco depois de Flávio ter se reunido com altos funcionários norte-americanos em Washington, o governo Trump propôs tarifas sobre o Brasil alegando violações comerciais e práticas desleais.
A sequência de eventos levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deve concorrer à reeleição, a acusar o senador de ter ajudado a desencadear a medida acusação que Flávio nega.