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Consumo de diesel segue em alta e ANP propõe aumento de estoques

A alta ocorre em um cenário de escalada de preços, que já derrubou dois presidentes da Petrobras este ano

Por FolhaPress 30/06/2022 7h46
Foto: BBC

Nicola Pamplona
Rio de Janeiro, RJ

Puxado pelas vendas de diesel, o consumo de combustíveis no Brasil cresceu 6,1% em maio, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, quando o país ainda sofria efeitos do isolamento social. Na comparação com 2019, antes da pandemia, a alta é de 1,9%.

Diante dos riscos de falta de diesel no mercado internacional, a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) propôs nesta quinta-feira (30) aumentar os estoques obrigatórios do produto, para garantir o abastecimento dos postos no fim do ano.

Considerando os primeiros cinco meses de 2022, o Brasil consumiu 56,7 bilhões de litros de combustíveis, alta de 2,9% em relação a 2021. O volume é 0,6% maior do que o verificado no mesmo período de 2019.

A alta ocorre em um cenário de escalada de preços, que já derrubou dois presidentes da Petrobras este ano.

As vendas de diesel cresceram 6,2% na comparação com maio de 2021. Em relação ao mesmo mês de 2019, a alta é de 11,2%. Essencial para o transporte de mercadorias e da produção agrícola, o produto não sofreu tanto impacto da pandemia.

Com as sanções à produção russa e o aumento do consumo para geração de energia em países que sofrem com interrupção das vendas de gás da Rússia, o mercado de diesel hoje vive um cenário de aperto entre oferta e demanda.

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“O objetivo da agência é atuar de forma preventiva”, disse, em nota, a ANP. A proposta é que empresas responsáveis por uma fatia de mercado acima de 8% guardem estoques suficientes para nove dias de vendas.

A regra vale apenas para o diesel S-10, menos poluente e obrigatório nos centros urbanos, que hoje responde por 61% do consumo do combustível no país. Com estoques maiores, a ANP acredita que o país conseguiria sobreviver 45 dias sem importações.

A ANP propõe que a medida vigore entre o início de setembro e o fim de novembro, “por serem os meses de maior demanda histórica nacional, decorrente do período de safra agrícola, e da temporada de furacões na região do Golfo do México, Estados Unidos, de onde se origina a maior parte das importações brasileiras”.

No momento, a agência garante que o abastecimento “ocorre com regularidade”. O risco de falta do produto é um dos argumentos usados pelo setor para justificar a paridade dos preços internos com as cotações internacionais.

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Um represamento dos preços no país, dizem Petrobras e distribuidoras de combustíveis, inviabiliza importações privadas para abastecer o mercado nacional. As refinarias brasileiras têm capacidade para produzir cerca de três quartos do volume consumido no país.

Mesmo com os preços batendo sucessivos recordes durante o ano, as vendas de gasolina cresceram 13,4% na comparação com maio de 2021, para 3,4 bilhões de litros. Em relação a maio de 2019, antes da pandemia, a alta é de 9,1%.

Mas as estatísticas da ANP indicam que essa alta reflete a substituição do etanol hidratado, que também atingiu recordes de preço durante o ano. Em maio, as vendas do biocombustível caíram 19,1% em relação a maio de 2021. Na comparação com o mesmo mês de 2019, a queda é ainda maior: 30%.

Somando gasolina e etanol hidratado, o consumo de combustíveis por veículos leves no país ainda é menor do que no período pré-pandemia. Nos primeiros cinco meses de 2022, foram 22,9 bilhões de litros, contra 24,5 bilhões no mesmo período de 2019.

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