Rio e São Paulo, 10 – Puxada para baixo pela forte queda dos preços dos alimentos, a inflação desacelerou e ficou em 0,16% em junho, depois de ter chegado a 0,58% em maio. A variação – a menor para o período desde 2023 (-0,08%) – surpreendeu o mercado, que projetava um IPCA de 0,31% para o mês passado. Para analistas, o resultado mantém aberta a possibilidade de um novo corte de 0,25 ponto porcentual da Selic na reunião de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, a despeito dos sinais de incerteza no curto prazo com a guerra no Oriente Médio e da dependência de novos indicadores de preços e atividade da economia.
No acumulado dos seis primeiros meses do ano, o IPCA chegou a 3,36%, a maior taxa para o período em quatro anos. Já a medição em 12 meses recuou de 4,7%, até maio, para 4,64% – neste caso, acima do teto da meta, que é de 4,5%.
Entre as instituições que passaram a projetar novo corte da taxa básica de juros, está o Bank of America (BofA), que em relatório afirmou que os números divulgados ontem pelo IBGE trouxeram “uma composição da inflação mais favorável do que o esperado”. A previsão é de uma redução de 0,25 ponto da Selic, para 14%.
Também o Citi classificou o resultado como “indiscutivelmente melhor”, com destaque para a surpresa positiva com os preços de alimentação, especialmente no consumo dentro de casa.
Com peso de 21,75% no índice geral, o grupo Alimentação e Bebidas fechou junho com deflação de 0,24%, em contraste com altas superiores a 1% nos três meses anteriores. Foi a melhor variação também desde junho de 2023 (-0,66%). Dentro do grupo, a alimentação no domicílio caiu 0,39% (ante aumento de 1,65% em maio), enquanto a alimentação fora do domicílio desacelerou para 0,15% (vindo de 0,49%).
Segundo o gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, o movimento de queda em Alimentação e Bebidas refletiu uma combinação de fatores, como o alívio nos preços dos combustíveis (com impacto sobre o frete de mercadorias), a devolução de parte das altas anteriores e o aumento da oferta de alguns produtos, como o café No entanto, itens como batata, alho e feijão carioca continuaram em alta, mostrando que o comportamento dos alimentos permaneceu heterogêneo.
A melhora nos preços dos alimentos foi mais intensa sobretudo entre os produtos in natura, destacou o Itaú Unibanco, reforçando a avaliação de inflação mais comportada no curto prazo. Em relatório assinado pela economista Luciana Rabelo, o banco afirmou que “o balanço de risco para a projeção de IPCA no ano segue assimétrico para baixo”.
Estadão Conteúdo