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Campos Neto diz que choques climáticos podem ter efeito duradouro na economia

O presidente do BC ressaltou que é importante que os bancos centrais sigam uma agenda de sustentabilidade

Por FolhaPress 19/10/2021 6h13
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, apresenta a nova versão da agenda de medidas estruturais do Banco Central,a BC#

Larissa Garcia
BRASÍLIA, DF

O presidente do BC (Banco Central), Roberto Campos Neto, afirmou que choques climáticos e ambientais podem ter efeitos duradouros na economia. Segundo ele, no longo prazo, esses fatores afetam a produtividade, o crescimento e taxa de juros.

Para Campos Neto, esses choques podem afetar a oferta de produtos e serviços, com impacto na inflação. “No período recente, o Brasil presenciou diversos choques como ondas de calor, geadas e secas prolongadas, que afetaram os preços de alimentos e energia “, disse em seminário promovido pelo Ministério da Infraestrutura nesta terça-feira (19).

“Esse, contudo, não é um problema de caráter local, mas mundial. No longo prazo, esses choques podem ter efeitos duradouros na economia, afetando a produtividade, o crescimento econômico e a taxa de juros neutra [que não aquece nem contrai a atividade]”, completou.

O presidente do BC ressaltou que é importante que os bancos centrais sigam uma agenda de sustentabilidade, já que riscos ambientais e sociais podem prejudicar tanto a estabilidade do sistema financeiro quanto a política monetária. “As autoridades monetárias precisam avaliar as vulnerabilidades do sistema financeiro em relação aos choques climáticos, uma vez que eles podem provocar mudanças nas avaliações de ativos e perdas para o sistema”, destacou.

Campos Neto falou ainda sobre a inclusão do tema sustentabilidade na agenda institucional do BC em setembro do ano passado. Recentemente a autoridade monetária lançou medidas de ESG (sigla em inglês para boas práticas ambientais, sociais e de governança), como a inclusão de riscos climáticos na gestão de riscos dos bancos a partir de julho do próximo ano.

Com a mudança, o BC passa a exigir que os bancos incorporem potenciais perdas com choques climáticos no cálculo de riscos, que impacta, por exemplo, análises para concessão de crédito. Os bancos devem monitorar os eventos ambientais e criar iniciativas de prevenção, incluindo essas questões em testes de estresse -quando é simulado o pior cenário econômico e como o sistema financeiro se comportaria.

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A norma cita condições climáticas extremas, incluindo seca, inundação, enchente, tempestade, ciclone, geada e incêndio florestal. Além disso, o BC elenca alterações ambientais permanentes, como aumento do nível do mar, escassez de recursos naturais, desertificação e mudança em padrão pluvial ou de temperatura.

As medidas geram efeitos práticos dentro do balanço financeiro dos bancos. Resultados ruins nos testes de estresse, por exemplo, vão requerer mais capital para fazer frente aos riscos. O BC também determinou que os bancos elaborem e divulguem uma Política de Responsabilidade Social, Ambiental e Climática e estabeleceu critérios.

Antes, as instituições eram obrigados a criar suas políticas de responsabilidade social e ambiental -sem a exigência de incluir o clima-, mas não havia determinação sobre os critérios que deveriam utilizar. Entre as medidas está ainda o Bureau de Crédito Rural Sustentável, que cria critérios sociais, ambientais e climáticos na concessão de financiamentos ao setor agrícola a partir de dezembro de 2022, e medidas de incentivo à implementação desses critérios.

“Orientado pelos princípios do open finance [versão ampla do open banking], permitirá que beneficiários do crédito rural compartilhem suas informações com qualquer interessado, sem necessidade de intermediação de agentes financeiros”, disse Campos Neto. “O plano é permanecer na fronteira para enfrentar os presentes e os futuros desafios sociais, ambientais e climáticos, uma vez que esta é uma área em constante evolução”, concluiu.

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