Os cortes sucessivos da taxa Selic desde agosto de 2011 provocaram declínio mais acentuado nos custos de captação dos bancos do que na renda das operações de crédito, de acordo com o Relatório de Estabilidade Financeira divulgado nesta terça-feira (2) pelo Banco Central. A taxa de captação do sistema caiu de 8,97% nos 12 meses encerrados em dezembro de 2011 para 8,42% nos 12 meses até junho deste ano (queda de 0,54 ponto porcentual). A taxa das operações de crédito caiu de 19,84% para 19,40% na mesma comparação, uma diferença de 0,44 ponto porcentual.
Isso se explica, de acordo com o relatório, porque os empréstimos são, na maioria, prefixados. Ou seja, o banco muitas vezes ganha com o juro alto de uma operação feita há cinco anos, por exemplo. Já o dinheiro captado reflete mais rapidamente as taxas de mercado, segundo o BC. “Devido à maior participação de operações pós-fixadas no passivo das instituições financeiras, o movimento do custo de captação sofre forte interferência de variações da Selic”, diz o relatório.
“As operações de crédito, por outro lado, são predominantemente prefixadas e possuem prazo médio superior a 50 meses, de sorte que as reduções nas taxas de juros ocorridas na margem têm impacto reduzido sobre as rendas”. Com isso, a diferença entre as taxas de operação de crédito e de captação permaneceu praticamente estável nos últimos 12 meses, passando de 10,9% para 11% na média do sistema bancário.
Nos bancos privados, essa diferença aumentou, pois estes reduziram seu custo de captação em porcentual superior à queda na renda de suas operações de crédito. Segundo o BC, a diferença entre as taxas de operações de crédito e de captação em 12 meses subiu de 12,3% para 12,7% nessas instituições. O efeito dessa elevação sobre o resultado desses bancos, no entanto, foi encoberto pela redução no ritmo de concessões e pelo aumento de despesas de provisão, segundo o BC.
Nos bancos públicos, por outro lado, a diferença caiu de 8,4% para 8,1%. O efeito dessa redução, segundo o BC, foi amenizado pelo aumento de sua participação no volume de crédito concedido.