ANA PAULA BRANCO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
Segundo levantamento da consultoria Newmark, o Master chegou a ocupar quase 30 mil m², distribuídos em três edifícios no centro financeiro da capital paulista.
A maior fatia estava no Auri Plaza, com 13.960 m² -praticamente o prédio inteiro-, com aluguel estimado em R$ 3,9 milhões por mês. O contrato do imóvel, que pertence à Auri Desenvolvimento Imobiliário, terminou nesta semana e não foi renovado, segundo consultores do mercado imobiliário ouvidos pela reportagem.
Áreas menores também eram ocupadas no Pátio Malzoni e no B32 e já estão sendo negociadas com outras empresas.
A devolução é um desdobramento direto do colapso do banco, liquidado pelo Banco Central. O caso evoluiu para investigações de um dos maiores escândalos financeiros do país e resultou na prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
No mercado imobiliário, o impacto é imediato, mas não necessariamente duradouro, segundo Mariana Hanania, head de pesquisa de mercado da Newmark.
A vacância de escritórios de alto padrão na Vila Olímpia vinha em queda e fechou o primeiro trimestre em 15,3%, o equivalente a cerca de 50 mil m² vagos, de acordo com levantamento da consultoria. O indicador ainda não considera uma eventual desocupação integral do Auri Plaza. Se incorporado, poderia se aproximar de 20%, elevando a oferta de forma pontual.
A leitura dos consultores é que a absorção desse novo estoque deve ocorrer de forma gradual, sustentada por uma demanda que voltou a ganhar tração nos últimos dois anos, sobretudo por lajes de alto padrão.
Hoje, a Vila Olímpia opera em um nível de atividade mais robusto do que no período pós-pandemia.
Segundo a Newmark, cerca de 70 empresas ocupam áreas superiores a 10 mil m² na região. Em 2021, eram 52.
O dado ajuda a explicar por que uma devolução relevante não necessariamente desorganiza o mercado. Há, inclusive, um efeito inverso.
Segundo os consultores, o esvaziamento do Auri Plaza recoloca na vitrine um tipo de ativo que se tornou escasso: grandes áreas contínuas, capazes de abrigar uma única empresa.
Para Eduardo Cardinali, da Binswanger Brazil, esse tipo de oferta tende a atrair companhias que buscavam justamente esse perfil de ocupação e não encontravam espaço disponível na região.
A devolução pode até pressionar a vacância no curto prazo -em até cinco pontos percentuais, pelas estimativas do mercado-, mas a tendência é de recomposição ao longo dos próximos trimestres.
Outro impacto esperado é sobre preços. O Auri Plaza deve entrar no mercado com o valor mais elevado por metro quadrado entre os edifícios disponíveis na Vila Olímpia, puxando a média para cima mesmo em um cenário de maior oferta.
Segundo Mariana, no segmento de alto padrão, a lógica é menos sensível ao histórico do ocupante anterior e mais aos atributos do imóvel. Localização, padrão construtivo e disponibilidade de área pesam mais do que o nome que ocupava o prédio.
Como mostrado pela coluna Painel S.A., o mercado de escritórios de alto padrão na cidade passa por um momento de aquecimento. Levantamento da JLL também aponta que a taxa de vacância desse segmento atingiu o menor patamar em 14 anos no primeiro trimestre de 2026.
No período, foram registradas ao menos seis transações acima de 5.000 m², indicando retomada consistente da demanda por grandes áreas corporativas. Regiões como o entorno das avenidas Juscelino Kubitschek e Chucri Zaidan lideraram a absorção, enquanto a região da Rebouças zerou a vacância nos edifícios já entregues.
O próprio edifício B32, onde o Master também ocupava espaço, registrou a devolução de cerca de 8.100 m², seguida pela entrada de outro inquilino de grande porte, evidenciando a capacidade de rotação desses ativos.