O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou na noite dessa segunda-feira (1º), que o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, pode ser preso em decorrência das investigações relacionadas à crise financeira do Banco de Brasília (BRB). A declaração foi dada no programa VEJA em Foco ao comentar as negociações envolvendo a situação da instituição financeira.
Segundo Durigan, o problema enfrentado pelo banco tem “origem criminal”. “O ex-presidente do banco BRB está preso, o ex-governador está investigado e possivelmente será preso também em razão do que temos visto aparecer sobre isso”, declarou.
O ministro afirmou que, durante uma ação discutida no Supremo Tribunal Federal (STF), houve a tentativa de fazer com que a União assumisse os custos decorrentes da situação do BRB, proposta que, segundo ele, foi rejeitada pelo governo federal.
“Foi pedido na ação do Supremo que a União, ou seja, todo o país, pagasse a conta do BRB. O que eu disse que era inadmissível”, afirmou.
De acordo com Durigan, o prejuízo para o Governo do Distrito Federal já está consolidado e a principal discussão agora é sobre a capacidade de recuperação da instituição. Ele ressaltou que ainda não há definição sobre um eventual processo de liquidação do banco, mas afirmou que os passivos permanecerão sob responsabilidade do GDF.
“O problema foi gerado por um ex-governador do DF e deve ser resolvido pelo próprio GDF. A questão do prejuízo para o governo já está dada. Resta saber se o banco vai quebrar, se vai ser liquidado ou se o GDF vai encontrar um caminho para recuperar o banco e pagar sua conta no tempo”, disse.
Durigan afirmou ainda que uma das condições estabelecidas durante as negociações foi a apresentação de um plano de recuperação para o BRB. Segundo ele, o acordo prevê que tanto o banco quanto o GDF demonstrem como pretendem reequilibrar as contas sem a utilização de recursos federais.
“O que eu exigi nesse acordo e está expresso no termo de conciliação é que o GDF apresente um plano de recuperação. Seja o próprio BRB mostrando que consegue se recuperar com essa operação de crédito, que não envolve dinheiro público federal, seja o próprio GDF, que vai ter que pagar essa conta ao longo do tempo”, declarou.
Ao comentar as responsabilidades pelo caso, o ministro afirmou que a situação decorre de decisões tomadas pela gestão distrital à época. “Essa responsabilidade é do Governo do Distrito Federal, em especial do governador que estava ali presente autorizando transações, para dizer o mínimo, fraudulentas e muito ruins para a população do DF”, concluiu.