Enquanto milhares de servo-kosovares protestaram hoje contra a independência do Kosovo, medications o Governo em Pristina expressou sua confiança em receber em breve os primeiros reconhecimentos como novo Estado.
“Esperamos que os primeiros Estados nos reconheçam em qualquer momento”, side effects declarou o primeiro-ministro, Hashem Thaçi, que leu no Parlamento kosovar a proclamação da independência, que contou com rejeição frontal da Sérvia.
O primeiro indício que o desejo do Kosovo se torne realidade foi dado pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que disse hoje, em visita à Tanzânia, que “os kosovares agora são independentes”.
Thaçi destacou que a cúpula albano-kosovar enviou mensagens para solicitar o reconhecimento do Kosovo aos 192 países do mundo e anunciou que Pristina tem planos de criar o cargo de ministro de Exteriores e abrir embaixadas.
Cerca de 10 mil sérvios se reuniram de forma pacífica em vários pontos do Kosovo para rejeitar a declaração de soberania, proclamada no domingo pelo Parlamento em Pristina, segundo fontes da Polícia kosovar.
A concentração mais numerosa aconteceu na cidade dividida de Mitrovica, no norte do Kosovo, onde 6 mil pessoas, segundo a Polícia, fizeram uma passeata do centro, onde vivem 15 mil sérvios, até a ponte sobre o rio Ibar, no sul, onde moram 60 mil albaneses.
Várias bandeiras dos EUA, principal aliado do Kosovo em seu processo de independência, foram queimadas durante o protesto, que não durou nem uma hora.
Os sérvios têm agora a intenção de protestar todos os dias às 12h44 hora local (8h44 em Brasília) em alusão à resolução 1.244 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que diz que o Kosovo é parte da Sérvia.
“A América já não é a única superpotência do mundo”, disse um dos líderes servo-kosovares, Marko Jaksic, aos manifestantes.
“Os russos estão vindo e enquanto a Rússia e a Sérvia existirem, nunca haverá um Kosovo independente”, acrescentou o porta-voz das cidades sérvias do Kosovo.
Os gritos de “Sérvia, Sérvia” se somavam às advertências escritas em cartazes com palavras de ordem como “Não vamos entregar o Kosovo” e “Vamos defender o Kosovo com todas as nossas forças”.
Um dos manifestantes, que se identificou como Mihailo, desempregado de 55 anos, disse que muitos sérvios possuem armas e que eles não pensam em entregá-las à Polícia kosovar.
Snezana, dona de casa de 45 anos, afirmou que seus netos e bisnetos vão viver no Kosovo.
Outras manifestações também aconteceram hoje em cidades habitadas por sérvios, como em Gracanica, perto de Pristina, e em Strpce, no sul do Kosovo.
Aproximadamente 1.500 pessoas se reuniram em Gracanica, e outras 2 mil em Strpce, enquanto centenas de manifestantes se reuniram em outros guetos sérvios, disse a Polícia.
O arcebispo sérvio ortodoxo Artemije disse em Gracanica que “nenhum ato de independência pode dividir o Kosovo” se eles mesmos não o permitirem e pediu que os sérvios ficassem em casa.
Já o deputado do Parlamento sérvio, Zvonimir Stevic, solicitou ao Conselho de Segurança da ONU que garanta plenos direitos para os sérvios no Kosovo e afirmou que a Sérvia “permanecerá no Kosovo”.
Em Gracanica, as pessoas gritavam: “Não entregaremos o Kosovo, confiamos na Rússia, e o Kosovo continuará sendo o coração da Sérvia”.
O único incidente registrado hoje foi a explosão de um veículo da missão da ONU no Kosovo (Unmik, em inglês) em Zubin Potok, no norte do Kosovo, às 2h30 hora local (22h30 em Brasília).