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Brasil

Polícia prende dois suspeitos de matar sindicalista de Assentamento Chico Mendes

Arquivo Geral

14/12/2007 0h00

A Polícia Civil prendeu na quarta-feira dois suspeitos de matar o presidente da Associação do Assentamento Chico Mendes, diagnosis João Calazans. Ele foi assassinado na terça-feira, na cidade mineira de Pingo D´Água, com um tiro na nuca e outro na perna. O crime ocorreu na casa dele, na frente da esposa, do filho e da sogra.

Em nota, a Polícia Civil informou que os suspeitos, moradores do assentamento Chico Mendes, estão presos em Caratinga (MG), na região do Vale do Rio Doce. Segundo a polícia, Calazans teria desentendimentos com eles.

Ainda segundo a nota, os suspeitos foram encaminhados por militares do 11º Batalhão à delegacia de regional de Caratinga para prestar esclarecimentos, e acabaram detidos depois que o delegado da Divisão de Crimes Contra a Vida, Rodrigo Fraga, reuniu elementos que permitiram a decretação da prisão temporária de ambos. Eles que negam envolvimento no assassinado.

De acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Calazans recebia ameaças de morte.

“Ele incomodou os latifundiários do Vale do Rio Doce e do Vale do Aço (regiões de Minas Gerais), denunciou as péssimas condições de trabalho e a exploração de trabalhadores rurais nas carvoarias da região, que sustentam as siderúrgicas do local”, diz o documento.

Segundo a coordenadora estadual da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Lucimere da Silva Leão, há suspeitas de intrigas internas que teriam levado à morte de Calazans.

“João vem de uma família muito forte, mas, de um tempo para cá, estava mais tranqüilo. Suspeitamos de intrigas internas em relação a questões locais, já que aqui sempre tem uma disputa”, disse. “Há um ano informamos ao Incra que, se a situação do assentamento continuasse do jeito que está, poderia haver novas denúncias. A polícia ainda não deu como caso encerrado nem como caso definitivo. A comunidade está muito assustada com tudo isso”.

Segundo a Contag, a região Sudeste concentra 23,5% de todos os conflitos no campo do país. O progresso tecnológico no campo e o avanço das monoculturas geram maior desigualdade, exclusão e novos conflitos, diz a entidade.

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