CARLOS VILLELA
FOLHAPRESS
O Ministério Público e a Polícia Civil deflagraram nesta terça-feira (7) uma operação contra um suposto esquema de fraudes na contratação de shows em Santa Catarina, com mandados de busca e apreensão em 18 cidades do estado.
A Promotoria afirma que há indícios da existência de um cartel que atuava na manipulação de preços, eliminação forçada de concorrência, pagamento de propina a agentes públicos e lavagem de dinheiro.
Ao todo, foram expedidos 50 mandados de busca em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Um empresário do setor de eventos foi preso preventivamente (ou seja, por tempo indeterminado) e o prefeito de Governador Celso Ramos, Marcos Henrique da Silva (PL), foi afastado do cargo. A reportagem entrou em contato por telefone com a prefeitura da cidade, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.
O empresário preso é José Clemir Spinelli, proprietário da Spinelli Produções, empresa sediada em Itapema e em atividade desde 2008, especializada na produção de shows para festas municipais, principalmente com artistas sertanejos.
A reportagem entrou em contato por telefone e mensagem com a empresa, mas não obteve resposta. Procurada por email pela manhã, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina não informou se Spinelli apresentou defesa.
A empresa produziu a festa de 62 anos de Governador Celso Ramos, realizada nos dias 7 e 8 de novembro de 2025, com shows de pagode, gospel, sertanejo e música nativista gaúcha.
Em setembro do ano passado, a empresa produziu a 4ª Mafra Fest, que teve como atrações, entre outras, as duplas Maiara & Maraísa e Guilherme & Benuto.
Além de Governador Celso Ramos e Itapema, foram cumpridos mandados nas cidades catarinenses de Abdon Batista, Apiúna, Aurora, Bombinhas, Brusque, Canoinhas, Indaial, Itaiópolis, Laurentino, Mafra, Palhoça, Porto Belo, Pouso Redondo, Santa Terezinha, São Bento do Sul e Três Barras. Também houve um mandado cumprido em Porto Alegre.
Foi determinado o bloqueio de aproximadamente R$ 9 milhões em bens e valores dos investigados.
A operação, batizada de Pão e Circo, foi autorizada pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina porque envolveu investigados com foro por prerrogativa de função.
Os investigados estão proibidos, por decisão judicial, de manter contato entre si e com testemunhas, além de acessar repartições municipais.
Operação apura suspeita de fraude em licitações de shows em 18 cidades de SC
Promotoria afirma que há indícios da existência de um cartel que atuava na manipulação de preços, eliminação forçada de concorrência, pagamento de propina a agentes públicos e lavagem de dinheiro
Foto: Reprodução / Gaeco-SC