Menu
Brasil

Marinha confirma que recentes manchas de óleo na BA são as mesmas de 2019

Desde 29 de junho, cerca de meia tonelada de óleo já foi coletada na praia de Itacimirim, distrito de Camaçari, região metropolitana de Salvador

Redação Jornal de Brasília

08/07/2021 18h02

Foto: Leandro Silva/Prefeitura de Camaçari/Divulgação

Franco Adailton
FolhaPress

Após submeter à análise laboratorial as manchas de óleo que ressurgiram no litoral norte perto de Salvador, na Bahia, no final de junho, a Marinha do Brasil confirmou se tratar do mesmo combustível fóssil decorrente do maior vazamento desse tipo de material na costa brasileira, ocorrido em 2019.

Desde 29 de junho, cerca de meia tonelada de óleo já foi coletada na praia de Itacimirim, distrito de Camaçari, região metropolitana de Salvador, a cerca de 67 km da capital baiana. O material foi revelado após a frente fria provocada pela passagem de um ciclone subtropical pelo litoral brasileiro.

Por meio da CPBA (Capitania dos Portos da Bahia), a Marinha informou que a análise feita pelo Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira “concluiu que os resíduos apresentam perfis químicos compatíveis com o material que atingiu a costa brasileira em 2019”.

“Seu aparecimento decorre, possivelmente, de fatores naturais […] que acabaram por gerar uma ressaca que revolveu sedimentos e possibilitou o ressurgimento dos fragmentos, que já se encontravam em estado avançado de decomposição natural”, diz o comunicado da CPBA.

O texto diz que CPBA, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Prefeitura Municipal de Camaçari têm se articulado para definir estratégias para remoção de futuros resíduos que venham aparecer.

A nota ressalta que órgãos ambientais e autoridades municipais permanecem monitorando, constantemente, a região afetada pelo ressurgimento das manchas e que as ações de remoção do óleo têm sido realizadas de maneira criteriosa e cuidadosa pelo grupo de trabalho.

Embora, à época, a UFBA (Universidade Federal da Bahia) tenha detectado que o óleo espraiado por mais de 130 localidades do litoral nordestino fosse originário de uma bacia na Venezuela, até hoje as investigações do governo federal não identificaram os responsáveis pelo vazamento.

Diretor do Instituto de Biologia da UFBA, o professor Francisco Kelmo informou que o óleo coletado recentemente “já havia passado por diversas transformações”. “Misturado com grãos de areia, sedimentos, esqueletos de animais. Quando removemos, parecia uma placa de asfalto”, disse.

Na avaliação do cientista, a densidade fez com que a substância afundasse até 1,2 metro na água, o que dificultou sua visualização. “Mesmo com sondas, drones ou imagens de satélites, era difícil atestar a presença da substância.”

Com os intervalos das marés, a substância grudou nos recifes de corais ou foi enterrada na areia. “Quando as equipes chegavam, não conseguiam localizar. E, do alto, o óleo submerso poderia ser confundido com um cardume, uma massa de plâncton, um recife de coral”, explicou.

Segundo o professor, a aparição dos resquícios de óleo só foi possível por causa da frente fria provocada pela passagem do ciclone subtropical no litoral brasileiro, que provocou ventos de até 60km/h na costa da Bahia, entre Salvador e Caravelas, no extremo sul do estado.

“Esses fragmentos que foram encontrados estavam aderidos a um substrato de recifes de corais, além de cobertos de areia”, afirmou. “Por causa dos ventos, da frente fria, da maré forte, acabaram revelados, foram avistados pelos moradores, que acionaram os órgãos ambientais.”

O professor frisa que, embora os gases característicos do mau odor do óleo já tenham evaporado, outros elementos continuam a contaminar o ecossistema marinho. “Muitos animais, sobretudo os invertebrados e os que se alimentam deles, morreram em decorrência do vazamento.”

Para Paulo Lara, biólogo da Fundação Projeto Tamar, o aparecimento recente das manchas, dois anos depois, apenas corrobora o impacto que um vazamento desse tipo pode provocar nos ecossistemas marinhos no longo prazo.

“À época, os animais marinhos, a exemplo das tartarugas, foram bastante afetados pela presença do óleo”, afirmou.

“Mas, apesar da magnitude do desastre, que foi um evento pontual, o verdadeiro problema é o emalhe nas redes de pesca durante o ano todo.”

As informações são da FolhaPress

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado